Modernas - GRANDE MURALHA (China)
As muralhas constituíram, desde a antiguidade, um importante meio de defesa. Erguiam-se ora em torno de cidades, ora para vedar uma passagem natural, ora em torno de um palácio ou impedindo e dificultando a caminhada de homens e animais em regiões montanhosas, mas com maior freqüência nas regiões planas, sem defesas naturais.
A Muralha da China, também conhecida como a Grande Muralha, é uma delas. Constituindo uma impressionante estrutura construída por várias dinastias ao longo de dois mil anos, suas diferentes partes distribuem-se entre o mar Amarelo (nordeste) e o deserto de Gobi e a Mongólia (a noroeste), com um comprimento total de milhares de quilômetros, dos quais muitos trechos resistiram à passagem do tempo e chegaram aos nossos dias.
Sua construção teve como objetivo a formação de um sistema defensivo capaz de impedir o avanço dos nômades mongóis em território chinês, e assim, serpenteando através de chapadas, desertos, planícies e montanhas, a grande muralha foi avançando por 7.000km, segundo alguns autores, no sentido leste-oeste. Tudo começou por volta de 220 a.C., por determinação de Qin Shi Huang Di, primeiro imperador (221-210 a.C.) da China unificada, que iniciou uma série de reformas significativas com o intuito de fortificar e estabilizar a unidade política de seu país, ordenando que se fizessem gigantescos projetos de engenharia como a própria muralha, embora ainda não em suas dimensões máximas. Na verdade, no começo esses paredões protetores eram independentes, encomendados por diferentes soberanos locais, e embora não nos tenham chegado relatos pormenorizados sobre as obras pretendidas pelo imperador Qin Shi, principalmente quanto ao número de homens que nelas trabalharam, sabe-se que na construção dos seus 3.000 quilômetros de extensão os responsáveis cuidaram de aproveitar uma série de fortificações feitas por reinos anteriores, ligando-as por meio de grandes muros erguidos com blocos de pedra assentados em argamassa feita de barro.
Com a morte de Qin Shi iniciou-se na China um período de revoltas e agitações políticas, e por causa disso os trabalhos na Grande Muralha ficaram paralisados por alguns anos, sendo reiniciados apenas em 202 a.C., quando a dinastia Han já havia chegado ao poder. Daí em diante as obras de levantamento do muro defensivo prosseguiram ao longo dos séculos, até atingirem seu esplendor máximo na dinastia Ming (fundada por Hung Vu em 1368 e encerrada em 1644), quando alcançou a extensão de sete mil quilômetros, estendendo-se de Xangai, a leste, a Jiayu, a oeste, sem que isso, no entanto, tivesse impedido as constantes incursões de mongóis e outros povos que ameaçaram o império chinês ao longo de sua história. Por volta do século 16 a Grande Muralha acabou perdendo a sua função estratégica em virtude da invenção da pólvora, das armas de fogo e da artilharia, e por isso foi abandonada. De qualquer modo, porém, ela desempenhou o papel de monumento simbólico da nação chinesa, ao longo de toda a sua história.
Os pesquisadores acreditam que um milhão de homens, entre soldados, camponeses e cativos, trabalharam na construção da Grande Muralha, e que cerca de 250 mil deles tenham morrido durante a prestação de serviços. Calcula-se, por outro lado, que trezentos milhões de metros cúbicos de material tenham sido consumidos na portentosa obra, o suficiente para erguer nada menos que 120 pirâmides de Queops, ou um muro de dois metros de altura ao longo da linha do equador. No início, os operários valiam-se de pedra, madeira e terra para erguer cada trecho do muro que apresentava, em geral, largura média de sete metros, na base, e seis metros, no topo, erguendo-se a uma altura média de sete metros e meio, mas posteriormente, durante a dinastia Ming, passaram a utilizar tijolos moldados e cozidos em fornos distribuídos ao longo de todo o traçado da muralha, sendo esses blocos de argila levados ao local de assentamento por homens que os carregavam nas costas, ou então em lombo de jumentos, mulas e até ovelhas.
Quanto às torres, em número estimado por alguns autores em cerca de 40 mil, elas guarneciam posições estratégicas (como passos entre as montanhas), possuíam escadas para a infantaria e rampas para a cavalaria, e sua destinação principal era a de permitir que os vigias nelas instalados pudessem perceber a aproximação e movimentação de inimigos, avisando, então, os demais postos de observação por meio de bandeiras e sinais de fumaça. Tais construções eram quadradas, chegavam a ter até dez metros de altura, divididos em andares aproveitados como estábulos para animais, alojamentos para os soldados e depósitos de armas e suprimentos.
A Grande Muralha da China é o maior monumento construído pelo homem, em todos os tempos, afirmando-se, inclusive, ser ele o único que pode ser avistado do espaço sideral. Escolhida em 2007, em concurso informal, como uma das novas Sete Maravilhas do Mundo, ela é uma atração habitualmente procurada por grande número de turistas interessados em conhecer a gigantesca obra considerada como símbolo da nação chinesa. Mas apesar da preocupação manifestada no início da década de 1980 por Deng Xiaoping (1904-1997), líder comunista chinês, sobre a restauração da muralha, estima-se que, atualmente, cerca de dois terços dela estejam em ruínas.





