Crustáceos - CRUSTÁCEOS

Os crustáceos são artrópodes, ou seja, invertebrados que possuem três ou mais pares de pernas articuladas, o que os distingue dos vermes. Seu corpo segmentado é coberto por uma capa dura chamada exoesqueleto (à qual se dá o nome de casca na lagosta, no camarão, na barata, etc.). Esse esqueleto externo que precisa ser substituído à medida que o animal cresce, se divide em cabeça, tórax e abdome, podendo, em alguns deles, ocorrer a fusão da cabeça com o tórax. Neste caso, diz-se que têm cefalotórax e abdome.

 

Desse grupo bastante diversificado fazem parte cerca de 50.000 espécies, das quais a maioria pertence ao ambiente marinho, como as lagostas, os camarões, as cracas, percebes, e tatuís, além dos siris e os caranguejos. Mas também existem as de água doce, entre elas a pulga da água e o camarão do rio São Francisco no estado da Bahia, além dos crustáceos terrestres, dos quais são exemplo o bicho-da-conta e o tatuzinho de jardim.

 

Esse grupo de artrópodes se diferencia dos demais pelo número de antenas que possuem (dois pares) e pela respiração feita por brânquias, nome do aparelho respiratório de animais aquáticos. Seus representantes vivem na água ou em ambientes muito úmidos, e são encontrados em todos os ambientes do mundo, desde as fossas abissais dos oceanos, até as geleiras e lagoas temporárias dos desertos. Seu sangue é movimentado na cavidade central do corpo por um coração rudimentar e seu sistema nervoso ventral é dividido em sensorial e motor, sendo os órgãos controlados por um sistema nervoso involuntário.

 

A descoberta de fósseis de crustáceos comprovam que eles já existiam no período compreendido entre 543 e 490 milhões de anos atrás, o que os inclui entre os animais mais antigos que se conhece. Restos calcificados de lagostas e caranguejos, além de cracas, foram encontrados na Inglaterra e Alemanha. As cracas são animais que vivem dentro de suas respectivas conchas, fixos em corais, rochas, no couro das baleias, na carapaça das tartatugas, nos cascos dos navios etc. Esse tipo de animal que não se locomove é chamado de séssil, estando entre eles os sururus, taiobas, mariscos e ostras. As cracas formam o único grupo séssil de crustáceos.

 

Os crustáceos, em sua maioria, têm sexos separados, e algumas espécies apresentam dimorfismo sexual (diferença nos caracteres sexuais secundários entre machos e fêmeas de uma mesma espécie), fenômeno que pode ser observado mais claramente nos leões (cujo macho possui uma juba, ausente nas fêmeas); nos mandris (cujo macho possui a face intensamente colorida e pelagem negra, enquanto a fêmea é completamente castanha); em certas espécies de cervo (cujos machos adultos possuem galhadas mais ou menos desenvolvidas, ausentes nas fêmeas); em aranhas (cujo macho é normalmente bem menor que a fêmea), e muitas espécies de aves.


A maior curiosidade a respeito dos crustáceos é que com o crescimento do corpo sua carapaça precisa ser trocada. Esse processo de muda acontece da seguinte forma: as camadas de cutícula velha são digeridas, o cálcio é reabsorvido, um novo esqueleto mole cresce por baixo, enquanto os músculos e outras estruturas dentro das extremidades amolecem e diminuem de volume. A velha cutícula abre-se dorsalmente, e o animal sai do velho exoesqueleto, ficando geralmente escondido até que a nova capa endureça, já que tem uma função protetora.

 

No que diz respeito às cracas (ilustração acima), das quais existem cerca de 500 espécies conhecidas, algumas podendo chegar a pesar até meio quilo (sem a carapaça), elas vagam nas águas do mar misturadas ao plâncton, até encontrarem uma superfície onde possam se fixar (pedra, barco ou outro animal, como as baleias, por exemplo). Então se prendem pela cabeça e protegem o corpo com uma carapaça calcária - quando adultas, a aparência é de uma concha de ostra. Para se alimentar, usam pés cheios de cerdas, que esticam para fora da casca. São hermafroditas, mas para se reproduzirem precisam ser fertilizadas por uma craca vizinha. O órgão sexual masculino de uma tem de alcançar a outra sem sair do lugar. Por isso, proporcionalmente, são os seres com o maior pênis do mundo!

 

Por sua vez, o caranguejo-ermitão (ilustração ao lado) é vulnerável pelo fato de não ter carapaça protegendo seu abdome, problema que ele contorna procurando uma concha vazia e passando a usá-la como abrigo. E para ficar ainda mais seguro, arruma uma anêmona do mar e a empurra com sua pinça para cima da concha, transformando-a em uma espécie de guarda-costa. Dessa forma ambos saem lucrando, porque se de um lado a anêmona passa a comer as sobras de peixes, algas e pequenos animais que alimentam seu companheiro, de outro os seus tentáculos com células urticantes protegem o caranguejo dos predadores que pretendam transformá-lo em refeição. Esse tipo de arranjo se estende muitas vezes a outros pequenos animais marinhos que grudam na concha do ermitão para serem alimentados por ele e protegidos pela anêmona.

 

O ermitão pode se esconder totalmente na concha e fechar a entrada com a pinça direita, bem maior que a esquerda. Quando ele cresce muito, procura uma concha de tamanho correspondente ao seu, arruma outra anêmona para lhe fazer companhia e pronto, vai vivendo assim durante muitos anos, crescendo e mudando, sempre em profundidades que oscilam entre 20 a 40 metros. Na proximidade das praias são encontrados apenas ermitões ainda jovens.

 

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