Famílias - ANFÍBIOS

Chamam-se anfíbios os seres capazes de viver tanto dentro da água como na terra. Neste sentido, os hipopótamos são anfíbios, mas em sentido estrito, a palavra designa uma classe dos vertebrados.  Os primeiros anfíbios conhecidos são fósseis que datam de 250 milhões de anos, encontrados na Europa e América do Norte em sedimentos cuja formação geológica pertenceu a uma intrincada bacia de lagos, charcos e rios do desaparecido continente norte-atlântico, hoje dividida pelo oceano. São sedimentos de uma região que foi regularmente submetida a períodos de seca e alagamentos, como o atual Grande Charco paraguaio.

 

Nessa rede fluvial surgiram peixes pulmonados (com pulmões ou órgãos que se assemelham a eles), que resistiam ao período da seca, como fazem hoje seus descendentes: no Grande Charco, por exemplo, vive a pirambóia, peixe que se envolve numa bola de lama quando as águas baixam e passa a respirar com os pulmões. Desses animais primitivos chamados Crossopterígios devem ter emergido os Rhipidisthia que se arrastavam pela lama com as nadadeiras. Acredita-se que deles se originaram os tetrápodes, primeiros animais com quatro patas.

 

Os anfíbios estão divididos em três ordens: os anuros (sapos e pererecas); os urodelos (tritões e salamandras); e os ápodos (cobras-de-duas-cabeças, geralmente subterrâneos). Seu corpo apresenta algumas novidades em relação ao dos peixes. As nadadeiras transformaram-se em patas de cinco dedos; a pele perdeu as escamas; apareceu o ouvido médio com tímpano, ao contrário dos peixes que ouvem vibrações do ambiente com a superfície do corpo; surgiu a voz; a estrutura óssea recebeu inúmeras modificações. Apesar do esqueleto ter conservado sua disposição geral, a cintura inferior e a superior (conjuntos ósseos que ligam os membros inferiores e superiores ao tronco e tórax, respectivamente) se tornaram mais fortes, e a coluna vertebral mais robusta, capaz de sustentar a região visceral do corpo.

 

Esses animais são pequenos, em média, e se unem apenas durante a época da reprodução. Exceto em alguns ápodos, a primeira parte da vida dos anfíbios, que medeia entre a saída do ovo e a metamorfose, é exclusivamente aquática. A pequena larva (girino) não possui pulmões ou pernas, respirando pelas brânquias (três ou quatro pares) e através da pele. A metamorfose da larva em adulto leva poucas semanas, mas a vida média dos anfíbios é longa. A salamandra japonesa atinge seu desenvolvimento completo aos trinta anos, enquanto um sapo só é sexualmente maduro com quatro ou cinco anos.

 

A respiração branquial das larvas persiste nos urodelos adultos que vivem dentro d’água. Mesmo para os que adquirem pulmões depois da metamorfose, sua pele, rica em glândulas venenosas e em muco, continua a ser um órgão respiratório importante, mas que para funcionar como tal deve manter-se permanentemente molhada. Alguns anfíbios que vivem em ambientes muito úmidos têm os pulmões reduzidos, ou até mesmo eliminados, o que é compensado por uma respiração que faz o animal encher e esvaziar rapidamente a boca, que é revestida por um epitélio bastante vascularizado. 

 

Ao contrário dos outros vertebrados superiores, nenhum anfíbio bebe água: eles a absorvem pela pele, assim como acontece com os peixes. Por essa razão eles evitam os ambientes ensolarados ou secos, mantendo-se sempre à sombra e na umidade (os que vivem em ambiente mais seco são as pererecas arborícolas e os ápodos subterrâneos). Pelo mesmo motivo as espécies diurnas são raríssimas, já que sua atividade começa com o crepúsculo e finda com a aurora. Durante o dia, eles dormem.

 

Como não dispõem de água, as zonas áridas e semi-áridas praticamente não conhecem anfíbios, que, porém, são encontrados em grandes concentrações na região tropical úmida. Por serem animais de sangue frio, não vivem nas regiões polares. Durante o inverno, com temperaturas muito baixas, entram em estado letárgico e se mantém hibernando sob a terra gelada.

 

Seus membros, bem como as cinturas superior e inferior (escapular e pélvica, respectivamente), possuem uma estrutura que permite a locomoção terrestre. Variam, entretanto, na forma: são possantes e modificados para o salto dos anuros, enquanto em alguns urodelos estão adaptados para um nado rápido. Às vezes, podem até desaparecer, dando lugar a uma cauda forte que desempenha bem o papel de motor numa natação veloz.

 

Nos anfíbios, os órgãos sensoriais também são adaptados aos ambientes terrestre e aquático. Os olhos são bem desenvolvidos, exceto em algumas espécies, como o Proteus (urodelo de águas subterrâneas), que os tem atrofiados e sem funcionamento, e na ordem dos ápodos, que enxergam muito mal. Os anuros – a ordem mais numerosa – são donos de melhores olhos, em geral dotados de duplas pálpebras e da membrana nictitante, ou terceira pálpebra, cuja função é proteger o globo ocular e auxiliar na sua limpeza. O órgão olfativo é capaz de perceber odores tanto em terra como na água. Os três órgãos dos sentidos – visão, audição e olfato – funcionam como nos hipopótamos e jacarés: o animal pode ver o que se passa na margem apenas aflorando a cabeça. Se bem que a maioria dos sapos não tenha dentes, muitos anfíbios os possuem, mas apenas no maxilar superior, no vômer (pequeno osso que forma a parte posterior da parede divisória das fossas nasais) e nos ossos do céu da boca. São minúsculos dentes agudos que não servem para a mastigação, só para abocanhar.

 

Nos anuros, a fecundação é externa: ao mesmo tempo em que a fêmea vai depositando os ovos, o macho lança sobre eles os espermatozóides. Nos urodelos ocorre a produção de um espermatóforo (cápsula que contém os espermatozóides), que a fêmea recolhe e introduz na própria cloaca (fecundação interna). A desova pode ser feita sob a forma de um cordão (como no sapo) ou em massas gelatinosas espessas, para proteger o embrião. É bastante freqüente entre os anfíbios o fenômeno da neotenia (maturidade sexual e capacidade de reproduzir ainda no estado larval). Muito grande, também, é a capacidade regenerativa dos anfíbios, maior nos urodelos que nos anuros.  Um aspecto interessante verificado nos anfíbios é a capacidade dos machos mudarem de sexo ao perderem o testículo. Nesses casos, o órgão de Bidder, um ovário rudimentar presente em todos os machos, evolui e se torna perfeitamente funcional.

 

Os ápodos, ou “cobras-cegas” (ilustração acima), a mais estranha subclasse dos anfíbios, não são cobras e nem cegos. Têm o corpo longo (até 1 metro), cilíndrico, sem patas, externamente coberto por anéis, com as duas pontas rombudas semelhantes (daí a confusão entre cauda e cabeça). A cabeça é dotada de pequenos olhos, algumas vezes recoberto de pele, sem abertura externa do ouvido, e dois pequenos tentáculos táteis sobre o lábio superior. Esses bichos passam a vida comendo invertebrados e cavando galerias bastante superficiais, sempre em zonas quentes. Sua única família, os “Cecilidae”, possui cerca de vinte gêneros, todos muito parecidos e pouco estudados, razão pela qual pouco se sabe sobre sua vida, fecundação, etc.

 

 Fonte: Enciclopédia Abril

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