Greco-romana - FEBO (Apolo)

Juntamente com Ares (Marte), Hermes (Mercúrio) e Dionísio (Baco), o deus Febo (Apolo, para os romanos) pertence ao grupo das divindades imberbes, porque sempre jovens. Segundo a mitologia grega, sua mãe, a deusa Latona (Leto), filha do Titã Coeus, ficou grávida de Zeus (Júpiter), despertando ciúmes em Hera (Juno), que por isso mandou a serpente Piton contra ela e obteve da Terra a promessa de que não lhe daria abrigo. Mas Posseidon (Netuno) decidiu ajudá-la, e para isso fez surgir uma ilha ao sul do mar Egeu (Delos), onde Latona, transformada em codorniz, deu à luz Febo (Apolo) e sua irmã gêmea Ártemis (Diana).

 

Febo, ou Apolo, foi, depois de Zeus (Júpiter) a figura mais importante da mitologia. Tendo ajudado seu pai na guerra contra os Titãs e contra os gigantes Aloídes, mas não se conformando com o fato deste ter fulminado com um raio o seu filho predileto, Asclépio, matou os Ciclopes que haviam forjado aquele raio. Febo era o deus do Sol, da Luz (daí a razão do seu nome), da Poesia, da Música, da Profecia, da Canção (recebendo por isso o apelido de o Citaredo), além de patrono dos médicos, dos pastores e dos fundadores das cidades. Houve um tempo em que também foi identificado como o deus Hélios, o que explica o fato de ter sido Nomios, o deus das pastagens, e Karneios, o dos rebanhos, assim como a divindade que protegia os frutos do campo e que animava os ventos dos mares (Embasios), para favorecer os navegantes.

 

Protagonista de inúmeras aventuras e passagens curiosas, como a do torneio de flauta com Mársias, um camponês da Frigia, que além de ter sido derrotado pelo deus ainda foi esfolado vivo por ele, ou a do desafio de Pã, em que este deveria tocar flauta, e Febo, a lira, sendo juízes o rei Midas e Tmolo, uma divindade montanhesa: esta deu a vitória a Febo, mas como Midas votou a favor de Pã, o deus da música fez com que as orelhas do juiz adverso passassem a ser iguais às de burro, ao invés de orelhas de gente. Com o passar do tempo Febo adquiriu um caráter mais ético, passando a ser o deus da pureza, da retidão, do aperfeiçoamento espiritual, do desenvolvimento cultural e do progresso político e social.

           

Márcio Pugliese, em Mitologia Greco-Romana, revela que “Apolo amou a ninfa Coronis, que o tornou pai de Asclépio (Esculápio). Esse seu filho, que se sobressaiu na medicina, tendo se servido de sua arte para ressuscitar Hipólito sem o consentimento dos deuses, foi fulminado por Zeus (Júpiter). Apolo, furioso, trespassou com suas flechas (as disseminadoras das pestes) os ciclopes, que haviam forjado o raio. Por essa vingança, considerada um atentado contra a soberania de Júpiter, Apolo foi banido do Olimpo. exilado do céu; condenado a viver na Terra, refugiou-se na casa de Admeto, rei da Tessália, cujos rebanhos passou a guardar. Tal era o encanto que exercia nos campos, tão vários os usos com que embelezava a vida campestre, que os deuses enciumaram-se dos pastores (...) Cumprida a sentença, Júpiter restabeleceu-lhe os direitos da divindade, restituiu-lhe todos os atributos e o encarregou de espalhar a luz (...) Representam-no sempre moço e sem barba, porque não envelhece. O arco e as flechas que traz simbolizam os raios do Sol, embora, de fato, nos mitos se refiram às pestes deflagradas pela cólera do deus; a lira, a harmonia dos céus; o broquel (escudo pequeno), quando o porta, indica a proteção que concede aos homens. Assim como seu filho Asclépio (Esculápio), é venerado com deus da medicina. Sob seu aspecto médico, tem a seus pés uma serpente; como caçador, apresenta-se como um jovem, vestido de leve clâmide (manto usado pelos gregos, que se prendia nos ombros), que deixa perceber o flanco nu. A sua estátua mais notável, talvez a mais célebre, que nos resta da Antigüidade, é conhecida como Apolo de Belvedere. Outra, também importante, foi o Colosso de Rodes, em bronze, e com cerca de 35 metros de altura.

 

O culto a Febo transferiu-se para Roma ao tempo dos Tarquínios, século 6 a.C., juntamente com os livros sibilinos, onde se acreditava pudessem estar os recursos supremos de salvação do  Estado, tendo sido erigido em 432 a.C. um templo em sua homenagem, em agradecimento à proteção que dispensou à cidade, durante uma epidemia. Os jogos apolinários, realizados em sua honra, foram celebrados pela primeira vez em 212 a.C., durante a II Guerra Púnica.

 

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