Greco-romana - GRAÇAS, AS
Deusas gregas assimiladas depois pelos romanos. A principio eram apenas divindades da Natureza, mas posteriormente passaram a personificar a beleza e a graça. Os registros as apontam ora como filhas de Zeus (Júpiter) e Eurínome, ou Eunomia, filha de Oceano, ora de Apolo e Afrodite, ou ainda de Dionísio e Afrodite.
Elas eram três: Tália (verdejante), Eufrosina (alegria da alma) e Aglaé (brilhante) e apareciam sempre juntas, ornadas de flores e coroadas de rosas, formando um lindo cortejo que deleitava os assistentes com o ritmo artístico de suas danças. Determinadas vezes, porém, apareciam apenas duas, e sempre faziam parte das comitivas de Afrodite (Vênus), de Eros (Cupido) e de Dionísio (Baco).
As Graças, também conhecidas como Cárites, eram geralmente representadas como jovens virgens de talhe esbelto, de mãos dadas e formando um círculo, tendo um delas uma rosa na mão; a segunda, um dado de jogar, e a terceira, um ramo de mirto. A mais bela de suas prerrogativas era a de presidir aos benefícios e à gratidão, tornando-se, em alguns lugares, objeto de culto independente. Deusas da graça do amor, da dança e dos modos, eram gentis e educadas, possuindo, ainda, a leveza de movimentos.
Hesíodo, poeta grego que viveu provavelmente no século 8 a.C., registrou em sua obra intitulada Teogonia - uma coletânea das lendas mais antigas sobre o nascimento e os feitos dos deuses -, que elas eram deusas da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade. Em algumas lendas Aglaia casou-se com Efaístos, o artesão dos deuses. Seu casamento explica a tradicional associação das Graças com as artes; como as Musas, acreditava-se que elas davam o dom aos artistas e poetas para a criação de lindos trabalhos de arte.
Segundo Márcio Pugliesi, em Mitologia Greco-Romana, “O seu poder se estendia a todos os divertimentos da vida e dispensavam aos homens não somente a boa vontade, a alegria, a equanimidade, a elegância, como também a liberalidade, a eloqüência e a prudência, dons ligados ao governo da cidade. Mas, sobretudo, distinguiam-se por dar aos homens o impulso de prodigalizar benefícios e de sentir gratidão. Sempre são mostradas como jovens longilíneas, de mãos dadas e em atitude de dança, geralmente desnudas ou com diáfanos tecidos, que mais exibem do que ocultam sua beleza. Particularmente famosa é a representação que delas fez Sandro Boticelli”.
Sobre as atividades que as três Graças desempenhavam, o poeta inglês Edmund Spenser (1552-1599), poeta laureado e dono de imaginação nobre e pura, escreveu os seguintes versos:
Ofertam as três, ao homem, os dons amáveis
Que ornam o corpo e ornamentam a inteligência:
Aspecto sedutor, bela aparência,
Voz de louvor e gestos de amizade.
Em suma, tudo aquilo que, entre os homens,
Se costuma chamar Civilidade.
Na Idade Média, o conjunto das três artes ou disciplinas relativas à eloqüência (Gramática, Retórica e Dialética), que formavam a primeira divisão das artes liberais, estavam relacionadas com elas. Esse grupo de disciplinas, ao qual se deu o nome de trívio, do latim trivium, dominou o ensino superior daquele período, encaminhando os que as acompanhavam principalmente para a Teologia.
Das deusas Graças, cujos templos e altares espalhavam-se por diversas cidades - como Delfos, Períntio e Bizâncio e outras -, nos chegaram expressões com "ficar em estado de graça", “dar um ar de sua graça” e "graças de Deus", porque o significado da palavra abrange a estima, a benevolência, a amizade que se manifesta a alguém ou se recebe de outrem, além de elegância, gosto, amenidade, gentileza, indulgência, perdão, e muitos outros mais.





