Greco-romana - HADES (Plutão)
Segundo a lenda, Hades (Plutão), irmão de Zeus (Júpiter) e Posseidon (Netuno), era o terceiro filho de Saturno (Cronos) e de Rea (Cibele). Ao nascer, foi engolido por seu pai porque um oráculo predissera a este que seria destronado por um dos filhos, mas Zeus o arrancou de dentro do genitor. Agradecido, Hades não hesitou em ajudar seu irmão quando ocorreu a guerra (Titanomaquia) entre os Titãs, liderados por Cronos, e os deuses olímpicos, liderados por Zeus, que definiria o domínio do universo. Zeus conseguiu vencer após resgatar os outros irmãos, depois de uma luta que durou cem anos.
Quando os três irmãos (Hades, Zeus e Posseidon) dividiram o universo depois da deposição do pai, a ele foi concedido o mundo subterrâneo, ou reino dos Infernos (freqüentemente chamado de Hades) e dividido em duas regiões: o Érebo, para onde os mortos passavam imediatamente após a morte, e o Tártaro, a região mais profunda, onde os Titãs haviam sido aprisionados. Como nenhuma deusa havia concordado em partilhar com ele (que era feio e de fisionomia carrancuda) o domínio desse tenebroso lugar cheio de almas lamentosas, ele resolveu raptar Proserpina (ou Perséfone, na Grécia), filha de Ceres (Deméter), deusa da agricultura, com Zeus, tornando-a sua esposa.
Sobre o rapto, ele é relatado por Thomas Bulfinch (1796-1867), em “O Livro de Ouro da Mitologia”, da seguinte forma: “Depois de Júpiter e seus irmãos terem derrotado os titãs e os expulsado para o Tártaro, um novo inimigo ergue-se contra os deuses. Eram os gigantes Tifon. Briareu, Encéfalo e outros. Alguns deles tinham cem braços, outros respiravam fogo. Afinal, foram vencidos e enterrados vivos no monte Etna, onde alguns continuam a lutar para se libertar, sacudindo a ilha com os terremotos. Sua respiração sai através da montanha e é o que os homens chamam de erupção vulcânica”.
“A queda desses monstros abalou a Terra, o que alarmou Plutão, receoso de que seu reino pudesse ser aberto à luz do sol. Presa dessa apreensão, ele entrou em seu carro, puxado por cavalos negros. e viajou pela terra, para verificar a extensão dos danos. Enquanto se achava empenhado nesse mister, Vênus, que estava sentada no monte Erix, brincando com sei filho Cupido, olhou-o e disse: ‘- Meu filho, toma as setas com que vences todos, e crava uma delas no peito daquele sombrio monarca que governa o reino de Tártaro. Vamos aproveitar essa oportunidade de ampliar o teu e o meu domínio. Não vês que mesmo no céu alguns desprezam nosso poder? Minerva, a sábia, e Diana, a caçadora, desafiam-nos..E ali está a filha de Ceres, que ameaça seguir seu exemplo. Agora, se tens consideração por seus próprios interesses e pelos meus, junta aquelas duas pessoas em uma só’. O menino abriu a aljava e escolheu a mais aguda e fiel seta. Depois, firmando o arco no joelho, distendeu a corda e desfechou a seta bem no coração de Plutão”.
Há, no vale de Etna, um lago escondido no bosque que o protege contra os ardentes raios do sol. O terreno úmido é coberto de flores, e a primavera reina ali perpetuamente. Prosérpina lá se encontrava brincando com suas companheiras, colhendo lírios e violetas e enchendo com as flores seu cesto e seu avental, quando Plutão a viu, apaixonou-se por ela e raptou-a. Ela gritou pedindo ajuda à mãe e às companheiras, e quando, apavorada, largou os cantos do avental e deixou as flores caírem, sentiu, infantilmente, sua perda como um acréscimo ao seu sofrimento. O raptor excitou os cavalos, chamando-os cada um por seu nome e soltando sobre suas cabeças e pescoços as rédeas cor de ferro. Quando chegou ao rio Ciano, e este se opôs à sua passagem, Plutão feriu a margem do mesmo com seu tridente, a terra abriu-se e deu-lhe passagem para o Tártaro.
Segundo se dizia, o reino de Hades (Plutão) era cuidadosamente guardado por Cérbero, o cão de três cabeças e cauda de dragão. Rios sinistros separavam o mundo subterrâneo do mundo superior, e o velho barqueiro Caronte transportava as almas dos mortos através destas águas. Ali, em algum lugar na escuridão, estava localizado o palácio do senhor desse território indesejado pelos viventes, representado como um lugar lúgubre, escuro e repleto de portões, colocado no meio de campos que formavam uma paisagem assombrosa. De lá Hades, ou Plutão, governava o seu reino tendo como súditos incontáveis sombras ligeiras e miseráveis, tão numerosas quanto as estrelas do firmamento.
Dele já se disse que “todos os mortos pertencem a seu reino, aumentando sua riqueza e seu poder. Nenhum dos seus ministros infringe suas ordens, nenhum dos seus súditos tenta uma rebelião. Dos três deuses soberanos que governam o mundo, ele é o único que nunca temeu a insubordinação ou a desobediência, o único cuja autoridade é universalmente reconhecida. Mas é preciso que se lembre: nenhum é mais odiado ou temido, pois não teve nem templo nem altar, e não se compunham hinos em seu louvor”. (1).
Plutão foi de tal maneira temido entre os povos da Itália que o criminoso condenado ao suplicio era-lhe antes consagrado. Depois disso, qualquer cidadão que encontrasse o culpado podia matá-lo sem temer qualquer castigo. Os povos do Lácio e dos arredores de Crótona consagraram ao rei dos Infernos o número dois como número fatídico; pela mesma razão os romanos consagram-lhe o segundo mês do ano, e nesse mês, o segundo dia foi designado para a oferta de sacrifícios.
Plutão é representado com barba espessa e um ar severo, muitas vezes com um capacete, presente dos ciclopes, cuja propriedade era torná-lo invisível. Quando sentado no seu trono de ébano ou de enxofre, tem na mão um cesto negro, uma forquilha ou uma lança. Ou então segurando chaves, para indicar que as portas da vida estão sempre fechadas para os que chegam ao seu império. Por vezes ele é mostrado sobre um carro puxado por quatro cavalos negros e fogosos. Sua árvore representativa é o cipreste, cuja folhagem sombria exprime a melancolia, a solidão e a dor.(2)
(1 e 2) – Fonte: Mitologia Greco-Romana, de Márcio Pugliesi.





