Greco-romana - HARMONIA
Harmonia era filha de Ares (Marte) com Afrodite (Vênus), e seu nome aparece num contraste aos dos seus pais, ambos deuses ligados à guerra e ao combate. Alguns mitólogos atribuem a origem das guerreiras amazonas a uma relação incestuosa entre ela e Ares.
Harmonia desposou Cadmo, fundador da cidade de Tebas, em uma festa à qual compareceram os deuses do Olimpo (por sinal, a última vez em que isso aconteceu). Durante as comemorações festivas realizadas após à cerimônia, a noiva foi presenteada por Vulcano (Hefesto) com um colar de grande beleza que ele mesmo havia preparado. Mas como o noivo anteriormente havia matado a serpente consagrada a Marte, a fatalidade pesava sobre sua família, e por isso essa jóia acabou se transformando em um talismã funesto que trouxe grande infortúnio ao casal: suas filhas Sêmele e Ino, e seus netos Actéon e Penteu tiveram todos uma morte dolorosa, enquanto o próprio Cadmo e Harmonia foram expulsos de Tebas.
Exilados na Ilíria, região que hoje em dia abriga países como a Sérvia, Montenegro, norte da Albânia, Bósnia-Herzegovina e Croácia, os dois não conseguiam esquecer o infortúnio por que haviam passado. Foi por isso que certo dia, atormentado pela lembrança dolorosa que não o abandonava, Cadmo descontrolou-se, voltou os olhos para o céu e exclamou inconformado: “Se a vida de uma serpente é tão cara aos deuses, eu preferia ser uma serpente!”.
Nem bem ele havia terminado de pronunciar essas palavras e o seu corpo começou a mudar de forma. Ao ver aquela transformação Harmonia percebeu de pronto o que acontecia, e por essa razão suplicou aos deuses que a fizessem compartilhar do mesmo destino dado ao esposo, porque não desejava deixá-lo. Foi dessa forma que ambos se transformaram em serpentes que passaram a viver nos bosques, mas como se lembravam de sua origem, não causavam mal a qualquer ser humano.
Segundo a tradição, foi Cadmo quem introduziu na Grécia as letras do alfabeto que os fenícios haviam inventado. O poeta inglês George Gordon Byron (1788-1824), sexto lorde Byron, alude a isso quando, dirigindo-se aos gregos modernos, diz:
Tendes as letras que Cadmo ofertou.
Achais que era um presente para escravos?
No culto romano, Harmonia passou a personificar a ordem e a beleza, confundindo-se com Concórdia, deusa invocada para união das famílias, dos cidadãos e dos esposos, mas que desempenhava suas funções celestes com uma velocidade muitas vezes desalentadora.
Cadmo e Harmonia tiveram vários filhos. Dentre eles destacam-se Sérnele, mãe de Dioniso, e Polidoro, antepassado de Édipo. Quando envelheceram, Cadmo e Harmonia deixaram o trono ao seu neto Penteu, filho de Agave, e instalaram-se na Ilíria, cujo trono acabaram por receber, graças a terem conduzido à vitória os seus novos compatriotas.
O casal e a sua lenda inspiraram a primeira ópera francesa, Cadmus et Hermione. de Lully, libreto de Quinault (1673).





