Famílias - CETÁCEOS
Por sua adaptação em ambientes aquáticos os cetáceos constituem um dos grupos mais especializados entre os mamíferos. Seu corpo é semelhante ao de um peixe, e na maioria das espécies a cabeça alcança até um terço do comprimento total. A boca é grande, e muitas espécies apresentam uma projeção óssea cujo formato muito se assemelha a um bico. Falta-lhes um nariz verdadeiro equivalente ao de outros mamíferos, pois sua cavidade nasal comunica-se com o exterior por meio de duas aberturas localizadas na parte superior da cabeça. Os olhos são pequenos e fracos, e as orelhas desprovidas de pavilhão auricular.
Apenas os membros anteriores existem, muito reduzidos em relação ao resto do corpo e transformados em nadadeiras bem distintas. Os membros posteriores praticamente desapareceram, restando pequenos rudimentos da bacia, da tíbia e do fêmur, que se encontram soltos e sem função. Na parte posterior o corpo se afina gradualmente formando a cauda, poderoso órgão muscular de propulsão disposto em plano horizontal, ao contrário do que acontece em um peixe, cuja nadadeira caudal está posicionada verticalmente.
Comparados com outros mamíferos, os cetáceos são enormes (a baleia-azul, maior animal que já existiu, mede de 30 a 33 metros de comprimento e tem peso superior a 100 toneladas). Sua pele é nua; a epiderme pouco espessa e a derme constituída de um tecido conectivo (responsável pelo estabelecimento e manutenção da forma do corpo) com papilas dérmicas (que servem para aumentar a área de contato entre a derme e a epiderme) pouco numerosas. Na parte mais profunda da derme está situado o panículo adiposo, uma espécie de almofada gordurosa que protege órgãos e corpo contra impactos, cuja espessura varia conforme a espécie, a estação e a região onde se situa.
Apenas os Odontoceti (família dos cachalotes e das baleias-de-bico) possuem entre 180 e 200 dentes cônicos muito semelhantes entre si, mas só existe uma dentição. As vias respiratórias e alimentares são separadas, condição essencial para a imersão. O estômago tem muitas concavidades, enquanto o intestino, muito longo, é relativamente simples. O aparelho circulatório apresenta uma importante mudança para a vida aquática: o desenvolvimento da rede de capilares intercalada aos ramos arteriais, provavelmente para frear a circulação e formar reservas sangüíneas oxigenadas que seriam aproveitadas durante as longas imersões que variam de cinco minutos a duas horas, conforme a espécie. O cérebro apresenta um volume notável e grande número de circunvoluções (dobras sinuosas na sua parte externa). O lobo olfativo é rudimentar ou ausente, mas os centros auditivos compensam, com sua grande capacidade, a olfação e visão deficientes. A atividade psíquica é intensa: diversas espécies possuem a capacidade de se comunicar por meio de uma grande variedade de sons. Os cetáceos não têm cordas vocais, mas a laringe pode emitir sons.
Os cetáceos costumam viver em bandos, e têm uma distribuição geográfica que varia segundo a temperatura das águas e disponibilidade de alimentos. Sua ordem, a Cetácea, se subdivide em três subordens: a Mysticeti, a a Odontoceti e a Archacoceti, embora esta última reúna apenas os fósseis.
A característica principal da primeira - Mysticeti – é a ausência de dentes, substituídos por lâminas córneas (as barbatanas) dispostas em fileiras laterais no maxilar superior. Elas são essenciais na alimentação do animal, pois ele abre a imensa boca enquanto nada e depois, fechando-a, expele a água através das barbatanas, que funcionando como peneiras retêm os pequeníssimos animais que serão engolidos. A esse grupo pertencem três famílias: Eschritidae, a menor de todas, compreende apenas a baleia cinza da Califórnia; a Balaenidae, entre as quais se inclui a baleia-lisa; e a Balaenopteridae, grupo que reúne diversas espécies, entre elas a baleia azul, a baleia comum, a rorqual comum e o jubarte.
Quanto aos Odonceti, cujas características principais são a presença de dentes no elemento adulto e um único orifício nasal externo, seus exemplares estão distribuídos pelas famílias: Ziphiidae, Physeteridae, Monodontidae, Platanistidae, Phocaenidae e Delphinidae:
- A família Ziphiidae compreende animais de porte médio a grande, cuja cabeça terminando em rostro (uma protuberância assemelhada a bico) é a razão de seu nome popular: baleia-de-bico. A baleia-bicuda-de-Cuvier pode ser encontrada em todos os oceanos, e seu aparecimento já foi registrado no Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Fernando de Noronha.
- Já a Physeteridae tem apenas dois gêneros de uma espécie cada: o cachalote, que chega a 20 metros de comprimento, de cabeça gigantesca e abertura bucal inferior tão larga que chega até perto dos olhos, e o cachalote pequeno, com apenas quatro metros, ambos encontrados no Brasil.
- A família Monodontidae é pequena, mas um dos seus representantes, o narval, é o cetáceo mais facilmente reconhecível: tem cabeça pequena e mede até 6 metros de comprimento, tem cores claras, sobretudo nos flancos e no ventre, com manchas escuras. No Brasil, não há narvais.
- Os membros da família Platanistidae são chamados delfins de água doce e vivem nos grandes rios da América e da Ásia. Desse grupo fazem parte o golfinho da Prata e o boto do Amazonas, este encontrado exclusivamente nas águas doces do rio amazonense e seus afluentes. De corpo pequeno, entre 1,5 e 3 metros, não ultrapassam os 225 quilos.
- Um rostro escuro caracteriza a família Phocaenidae, composta por animais de pequeno tamanho (menos de 2 metros). A espécie principal, a toninha comum, vive em águas costeiras principalmente nos mares do hemisfério norte.
- A Delphinidae é a mais importante e numerosa família dos cetáceos, com dezoito gêneros e 46 espécies que se espalham por todos os oceanos e grandes rios, e compreende os cetáceos mais velozes e ágeis. Habitualmente gregários, formam grupos de até centenas de indivíduos. Com elevado grau de inteligência, quando amestrados são freqüentemente exibidos ao público. Como maior representante dessa família que não aparece em águas brasileiras, temos a orca, cujo macho chega a 10 metros de comprimento.
Hoje, todas as baleias estão à mercê dos rápidos e modernos pesqueiros industriais, e o resultado é o começo da extinção desses animais.





