Famílias - CROCODILIANOS

Os crocodilianos são animais surpreendentes. Há milhões de anos no planeta, são os seres mais próximos de um dinossauro vivo que podemos conhecer. A razão dessa longevidade é que eles são animais quase perfeitos em seu ambiente, já que: podem sobreviver dois ou três anos sem comer; são um dos poucos répteis que cuidam de seus filhotes; e possuem em sua pele sensores de vibração extremamente sensíveis, que lhes permitem detectar até a mais leve vibração e sair da zona de perigo bem antes que o perigo chegue.

 

Mas também podem ser perigosos, pois são guiados pelo instinto. Seu cérebro pesa apenas 8 ou 9 gramas e ocuparia apenas metade de uma colher de sopa, o que significa dizer que se ele estiver com fome, comerá qualquer coisa que se mova. Os animais de estimação e as crianças que ficam perambulando perto de uma lagoa com jacarés são vítimas freqüentes desse comportamento instintivo.

 

Os grandes animais couraçados da pré-história legaram à atualidade a classe dos Crocodilianos, que apesar de muito parecidos com seus antepassados são o resultado de lenta adaptação a um habitat menos agressivo. Originários do Mezozóico (entre 251,65 milhões e 500 mil anos atrás), eles atravessaram milhões de anos sobrevivendo às enormes transformações daquela época, apresentando, na atualidade, morfologia (forma e estrutura do corpo ou dos órgãos) bastante parecida com a dos pré-históricos, embora exista variedade no tamanho. O primeiro espécime (surgido no Cretáceo, período da era do Mezozóico entre 145,5 e 65,5 milhões de anos), era o Protosuchi, que não ultrapassou 1,2 metro de comprimento. Com a passagem de 35 milhões de anos as famílias multiplicaram-se, foram se adaptando ao meio e transformando-se em animais de grande porte, chegando a atingir até 14 metros de comprimento, que era o tamanho do Fobosuchi, habitante do sul da América da Norte. Grandes e encouraçados, foram capaz de lutar pela sobrevivência com outros animais de grande envergadura, tornando-se predatórios.

 

A enorme cabeça dos crocodilianos, que pouco se destaca do pescoço, é achatada e forma um focinho cujo tamanho varia de uma espécie para outra. Duas aberturas em forma de meia-lua são as narinas, que se fecham hermeticamente assim que o animal mergulha. Na parte superior e posterior da cabeça estão os olhos, pequenos, munidos de três pálpebras: duas normais e uma terceira destinada a facilitar a visão sob a água e no escuro. As pupilas são verticais e, sob luz intensa, transformam-se numa estreita fenda, mas à noite elas se dilatam e os olhos brilham em tom róseo. Os ouvidos também têm seus opérculos (placas ósseas localizadas dos lados da cabeça dos peixes) protetores no mergulho. Cada um dos potentes maxilares é provido de 22 dentes cônicos logo substituídos quando se quebram, mas eles servem apenas para dilacerar e prender os alimentos.

 

Os crocodilianos são os únicos répteis que têm o crânio maciço. A parte inferior é fechada com o palato duro (fina camada óssea localizada no céu da boca), que separa as fossas nasais da cavidade bucal. Nela está a língua, soldada no pavimento da boca e pouco desenvolvida. A comunicação boca-faringe é fechada automaticamente assim que o animal mergulha, o que lhe permite abri-la dentro d’água sem qualquer problema. O corpo largo e achatado é dividido em cavidade torácica e abdominal, ficando na primeira os pulmões e o coração, que é o mais evoluído entre os répteis. Esse órgão tem quatro cavidades, enquanto os pulmões são inteiramente divididos em câmaras onde os brônquios desembocam. O tubo esofagiano dilata-se para formar o estômago, cujo trabalho mecânico é auxiliado por um suco gástrico altamente corrosivo. O tubo intestinal liga-se ao reto e à cloaca, onde também desembocam os dois ureteres provenientes dos rins. Entre as cavidades do tórax e abdome, uma divisão que lembra o diafragma dos mamíferos. O sistema nervoso desses répteis é composto pelo cérebro e doze pares de nervos cranianos.

 

O acasalamento é feito em lugar seco ou de pouca água. A fêmea constrói um ninho de lama e folhas com aproximadamente um metro de altura por dois de diâmetro. Ela põe de 30 a 50 ovos brancos, duros e pouco maiores que um ovo grande de galinha, e os enterra na vegetação em decomposição. O ninho fornece calor - é como se fosse uma grande pilha de resíduos orgânicos (compostagem) que aquece naturalmente por causa da vegetação em decomposição. Os ovos de jacaré são influenciados pela temperatura: se ela estiver perto dos 26°C, quando da eclosão só resultarão fêmeas; se a temperatura estiver logo abaixo de 32°, os filhotes serão machos; mas para temperaturas entre esses dois valores, eles podem ser de qualquer sexo. A mãe protege o ninho de predadores, como os guaxinins, enquanto os ovos estão chocando. Quando os ovos chocam (depois de 40 dias), os filhotes fazem barulho e a mãe os retira do ninho, ficando com eles por perto do ninho e os protegendo para não terem algum problema ou se começarem a chorar. Esse comportamento protetor é muito raro nos répteis modernos, mas sabemos que era comum em determinadas espécies de dinossauros.

 

As pernas são curtas, robustas e inseridas lateralmente no corpo. As traseiras, que possuem quatro dedos (o que é uma exceção entre os répteis), são ligeiramente maiores que as dianteiras, com cinco dedos quase sempre ligados por uma membrana interdigital. A cauda, comprida, grossa, muito musculosa e achatada lateralmente, além de servir como elemento de propulsão debaixo d’água, também se transforma em excelente arma de ataque e defesa, sempre que necessário. A cabeça, o tronco e a cauda são recobertos por uma couraça córnea formada em placas retangulares que formam cristas colocadas no sentido de comprimento do dorso. Placas lisas recobrem a parte inferior do tronco.

 

Os crocodilianos vivem nas cercanias de rios, pântanos e lagoas, embora existam espécies que penetram no mar e outras que andam quilômetros em terra seca. Alimentam-se praticamente de todos os animais a seu alcance, engolindo-os sem mastigar, É quando o suco gástrico entra em ação, só não conseguindo digerir pêlos e penas, elementos que formam, então, um pequeno bolo endurecido logo eliminado. Eles atingem a maturidade por volta dos seis ou sete anos, e podem viver mais de cinqüenta. Por não conseguirem gerar calor suficiente para manter o equilíbrio entre a temperatura do corpo e a do ambiente, passam horas dormitando ao sol, no seco, para se aquecer. Por isso são chamados animais de sangue frio.

 

Com o frio do inverno, os crocodilianos diminuem sua atividade. Quando a temperatura cai abaixo dos 21°C, eles param de comer; e caindo mais que isso, esses animais cavam um esconderijo na beira de uma lagoa ou de um rio e hibernam até que comece a esquentar novamente. Embora sejam enormes e tenham sangue frio, podem atingir a velocidade de 17 km/h, em distâncias curtas. Para efeito de comparação, os recordistas mundiais em arrancadas de 100 metros atingem quase 32 km/h, mas uma pessoa adulta normal não é mais rápida do que um jacaré. Isso permite a esses animais escapar da maioria das situações de perigo na terra, e entrar na água.

 

Fontes Enciclopédia Abril e HowStuffWorks.

 

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