Música - NOTAS MUSICAIS

Quando o homem começou a pronunciar suas primeiras palavras, certamente sentiu a importância da modulação e do ritmo com que elas deveriam ser ditas, isso porque a sobrevivência de cada um deles dependia da diferenciação entre os gritos emitidos para espantar os inimigos, para alertar os amigos sobre perigos iminentes, para chamar a companheira ou simplesmente pedir a proteção sobrenatural.

 

Mas ele logo aprendeu a usar outros sons, seja pisando no chão com força, batendo com os punhos no próprio peito ou fazendo barulho com um osso grande ou pedaço de madeira em qualquer objeto ressonante. Esses foram os primeiros instrumentos de percussão, que depois de milhares de anos ganharam a companhia dos instrumentos de sopro e corda.

 

Depois disso a música (do grego mousike, designando a arte das musas: poesia, dança, canto, declamação e matemática) foi sendo aperfeiçoada aos poucos. Os egípcios, sumérios e assírios cantavam a uma só voz, acompanhados por uma série de instrumentos; os gregos estabeleceram a base da música ocidental criando um sistema apoiado numa escala elementar de quatro sons; os cristãos romanos levaram-na a seus esconderijos nas catacumbas apenas na interpretação vocal, porque os instrumentos eram considerados por eles como bárbaros, lascivos e diabólicos, e por isso proibidos. Posteriormente os cânticos foram unificados e reunidos num livro que aproveitou apenas os considerados perfeitos, conhecidos como cantos gregorianos. E assim por diante.

 

Até que o monge Huebaldo (840-930) iniciou a notação musical ao estabelecer a pauta de quatro linhas, continuada pelo beneditino italiano Guido D”Arezzo (955-1050), que usando as sílabas iniciais de um hino a São João Batista (Ut queant laxis / Re sonare fibris / Mi ra gestorum / Fa muli tuorum / Sol ve polluti / La bii reatum / Sa ncte Ioannes, cuja tradução seria Para que possam livremente / Ressoar as cordas / Sobre teus feitos / Apaga os erros / Dos lábios manchados / Ó São João) , atribuiu nome as notas.

 

Mais adiante, no século 17, o maestro italiano João Batista Doni sugeriu a mudança da primeira nota para Dó, alegando que as pessoas encontravam relativa dificuldade para pronunciar a sílaba Ut. A alteração foi aceita em todos os países com exceção da França, onde isso demorou um pouco mais de tempo para se concretizar, mas depois disso a escala Dó-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá-Si-Dó tornou-se, até hoje, universalmente conhecida e utilizada.

 

Notação musical é o nome genérico que se dá a qualquer sistema de escrita utilizado para representar graficamente uma peça musical, permitindo a um intérprete executá-la da maneira desejada pelo compositor ou arranjador. Atualmente, o mais utilizado é o ocidental, representado por símbolos grafados sobre uma pauta de cinco linhas, o pentagrama, embora a música moderna também se valha de alguns dos diversos outros sistemas existentes. O elemento básico de qualquer sistema de notação musical é a nota, que representa um único som e suas características básicas: duração e altura. Os sistemas de notação musical também permitem representar diversas outras características, tais como variações de intensidade, expressão ou técnicas de execução instrumental.

 

Eles existem há milhares de anos, afirmativa comprovada quando foram encontradas evidências arqueológicas de escrita musical praticada no Egito e Mesopotâmia, por volta do terceiro milênio antes de Cristo. Mas outros povos também desenvolveram sistemas de notação musical em épocas mais recentes, como os gregos, que reuniam símbolos e letras representando as notas, sobre o texto de uma canção (*). Um dos exemplos mais antigos deste tipo é o epitáfio de Seikilos, encontrado em uma tumba na Turquia. Os gregos tinham pelo menos quatro sistemas derivados das letras do alfabeto, que foram perdidos juntamente com a grande parte da cultura grega, após a invasão romana.

 

O desenvolvimento da notação musical deriva em sua maior parte do trabalho de Guido d'Arezzo, que  também idealizou o solfejo, método de ensino musical que permite ao estudante cantar os nomes das notas. Nesta época o sistema tonal já estava desenvolvido e o de notação com pautas de cinco linhas tornou-se o padrão para toda a música ocidental, mantendo-se assim até os dias de hoje.

 

(*) Na ilustração acima, inscrição descoberta em 1883 pelo arqueólogo inglês William M. Ramsay. Só em 1891 os sinais especiais que se encontravam por cima das palavras das seis linhas centrais - na realidade quatro versos, mas escritos como prosa - foram reconhecidos pelo papirólogo austríaco Carl Wessely, como sinais da notação musical dos sons e sua respectiva duração. Esses sinais foram depois interpretados devidamente, sobretudo pelo erudito Teodoro Reinach.


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