Famílias - FELINOS

Do feroz leão ao gato doméstico, os felinos (felídeos) constituem a família mais evoluída entre os animais pertencentes a essa subordem de mamíferos carnívoros e terrestres. Vorazes, bem conformados para a caça da presa de qualquer tamanho, dotados de força terrível, sentidos desenvolvidos e formas elegantes, os felinos possuem cabeça arredondada, focinho curto e mandíbulas robustas, acionadas por potentes músculos de mastigação que só permitem movimentos verticais. Seus trinta dentes revelam especialização acentuada: incisivos pequenos e cortantes, caninos agudos e fortes, molares reduzidos.

 

Eles se apóiam no chão por meio dos dedos (cinco nas patas dianteiras e quatro nas traseiras) armados de unhas recurvas e quase sempre retráteis, e vivem desde as florestas fechadas até as savanas e regiões desérticas. Das cinco espécies popularmente denominadas linces, caracterizadas por cauda curta (para um comprimento total de 1,30m, ela mede apenas 25cm) e orelhas terminadas em um tufo de pêlos rígidos, a mais importante é a do lince europeu (Lynx lynx) de pelagem amarela e manchada de branco, exceto nas patas e no dorso, onde as manchas são escuras. Predador ativo e muito veloz, ele vive nas florestas, nos terrenos rochosos e pradarias, estando bastante espalhado pela Ásia. Na Europa, sua presença hoje é observada apenas em limitadas regiões da Rússia, Suécia e Noruega. Existem duas espécies americanas: o lince do Canadá (Lynx canadensis) e o lince vermelho (Lynx rufus).

 

Embora não inclua os felinos de grande porte, o gênero Felis é o mais importante da família. Suas espécies se espalham por todo o globo, incluindo desde o gato doméstico até a chamada onça-parda brasileira. A grande maioria desses gatos tem pequeno ou médio porte, distinguindo-se do gênero Panthera, entre outros motivos, pela presença de um aparelho no osso hióide (localizado na garganta), que impede certos movimentos da cabeça. Todas as espécies estão munidas de unhas retráteis, com o pêlo variando de coloração, podendo ser uniforme, manchado ou estilado (com pequenas gotas de cor negra). Os verdadeiros gatos são animais de hábitos noturnos, quase sempre solitários, exceto nas fases de acasalamento, e sua duração de vida varia entre dezesseis e vinte anos.

 

O gênero Panthera abrange as feras avantajadas que por sua agilidade e força constituem os predadores mais temíveis. Inclui seis espécies, todas providas de unhas retráteis, sendo a mais destacada a do leão (panthera leo), animal que tem como habitat a região sul do Saara. Ele é polígamo, mede 2,5m de comprimento e distingue-se da fêmea pela presença de espessa juba. Possuindo enorme força nas patas e na mandíbula, além de ser surpreendentemente ágil e veloz para sua envergadura, o leão vive nas estepes africanas, onde se alimenta da grande variedade de animais herbívoros existentes na região.

 

Muito mais agressivo que o leão é o tigre, espécie exclusivamente asiática, com numerosas espécies dispersas desde a Sibéria até o arquipélago de Sonda (Sumatra e Java). Menor que o leão, mas também dotado de força descomunal, ele prefere caçar na floresta, onde sua pelagem clara, com largas estrias escuras, lhe permite esconder-se em meio à vegetação. Tirando proveito dessa peculiaridade, o tigre costuma esperar que a caça passe ao alcance do seu pulo, quase sempre certeiro e fatal.

 

O leopardo (Panthera pardus) é talvez o mais feroz entre os mamíferos. Animal próprio da Ásia e África, ele é menor que o leão e o tigre, mas distribui-se, porém, mais amplamente que eles. Elegante, forte e de pelagem manchada, vive numa grande diversidade de ambientes, desde as florestas tropicais, extremamente úmidas, até as regiões rochosas, de vegetação escassa. Com 1,5m de comprimento, movimenta-se agilmente sobre as árvores, de onde, confundido com a vegetação, aguarda a ocasião propícia para se lançar silenciosamente sobre a presa incauta. Entre os leopardos aparecem com freqüência indivíduos melânicos, ou seja, dotados de muita melanina, pigmento que escurece a pele. São vulgarmente chamadas de panteras negras, denominação que do ponto de vista científico é destituída de maior significação.

 

No continente americano, o animal correspondente ao leopardo é o jaguar, conhecido no Brasil por onça-pintada. Cientificamente classificada como Panthera onça, o jaguar diferencia-se do leopardo pelo comprimento um tanto maior (cerca de 1,80m) e pelas manchas (ocelos). Espalhando-se por quase toda a América, desde o sul dos Estados Unidos até os pampas argentinos, ele vive nas florestas equatoriais ou em regiões de pouca vegetação, caçando animais de médio e grande porte, mas na vizinhança de localidades habitadas pelo homem, também se alimenta de animais domésticos como cavalos, bois, carneiros, entre outros. Existem, na Ásia, duas outras espécies desse gênero, a Panthera nebulosa, bem menor que seus parentes, e a Panthera uncia, ou leopardo-das-neves, que vive nas montanhas em altitudes de mais de 3.000m, em ambiente rochoso e além do limite da vegetação.

 

O gênero Acinonys conta uma única espécie, o guepardo, animal de 1,5m, cauda grossa de 75cm, focinho curto, forma fina e agil, e que possui as unhas não retráteis como principal característica distintiva. Também conhecido como cheetah, ele é talvez o mais rápido entre os mamíferos, pois consegue correr a uma velocidade de mais de 110km/h, o que lhe permite apresar sua caça preferida: zebras, antílopes e outros mamíferos herbívoros das savanas.

 

Felino domesticado pelo homem há milênios, o Felis catus deve ter tido sua origem no gato selvagem africano. A domesticação deu-se primeiramente no Egito, onde o gato já foi considerado animal sagrado, sendo levado de lá para outras regiões. Na Idade Média, crenças supersticiosas lhe deram fama de animal aparentado com o diabo, e embora essa presunção não tenha desaparecido inteiramente, o gato recuperou, na época moderna, suas regalias de animal de estimação. A espécie felina doméstica divide-se em um grupo de pêlo curto (raças siamesa, abissínia e a da ilha de Man) e outro de pêlo longo (persa e birmanesa). Os gatos domésticos vivem de dez a doze anos, alcançando um máximo de quinze.

 

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