Música - ÓPERA

Ópera é uma obra dramática, ou cômica, em que a música e a poesia se completam, podendo ser apresentada com o canto acompanhado de orquestras, danças em algumas ocasiões, e geralmente sem diálogo falado. Embora o conceito e definição de ópera datem de fins do século 16, suas características de teatro dramático e musicado são muito antigas, encontrando-se, nesta ou naquela forma, nas mais diversas civilizações. Conforme o caráter trágico ou cômico de seu enredo, distingue-se a ópera séria da bufa. A ópera cômica – que não é necessariamente humorística – recebe essa denominação por conter passagens faladas.

 

Diversos pesquisadores assinalaram a existência entre povos primitivos de diferentes partes do mundo, de verdadeiros dramas musicados que contavam com a participação não só do diálogo falado e cantado, mas também da pantomima, da dança, da decoração e da indumentária. Com relação aos gregos, a poesia esteve intimamente associada ao canto, e por conseguinte, a poesia dramática não se desligava completamente dessa união das duas artes. Os mistérios, os milagres e as moralidades medievais tinham também trechos cantados, podendo-se dizer o mesmo de certas formas de teatro popular profano. No próprio Renascimento, os bailes de máscara, as pastorais (que existiram também na Idade Média) e outras diversões palacianas, aliaram, freqüentemente, a arte dramática à música. Todavia, a ópera, em sua forma atual, é uma criação do Renascimento italiano.

 

As raízes mais imediatas e precisas da ópera estão no século 16. Os primeiros trechos musicais de vários tipos (canções, coros, danças), não tinham ainda relação com o drama representado. A formação da Camerata Fiorentina, sociedade que tinha por objetivo renovar o drama grego, constitui uma etapa decisiva para a cristalização do novo gênero. O estilo, que se denominou Nova Música, foi refletido em peças, cada uma das quais se chamou drama per musica, ou ópera per musica, de onde surgiu o termo musical ópera para designar o novo gênero. No carnaval de 1594 (ou 1597), a Camerata – formada por poetas, sábios, compositores e nobres – promoveu a primeira experiência de drama musical de que se tem notícia: a estréia, em Florença, de A Fábula de Dafne, do poeta Rinuccini, com música de Jacó Peri. Perdeu-se a obra, que teve, porém, grande sucesso na época.

 

Em 1607, Orfeu, de Cláudio Monteverdi, reuniu pela primeira vez todos os elementos do gênero: árias, recitativos, coros e orquestra. As cidades de Roma, Florença e  Mântua logo conheceram a ópera, um espetáculo então reservado à nobreza, mas a construção do Teatro São Cassiano, em Veneza (1637), ampliou o público e modificou o caráter desse drama musicado, cujo enredo passou a ser realista e cômico, enquanto a música mostrava maior preocupação com o virtuosismo vocal. Apesar da relativa popularização da ópera veneziana, foi a de Nápoles que conquistou o público culto do Ocidente. Afastando-se cada vez mais do drama inspirado na Antiguidade, os napolitanos concentraram-se na representação de estados psicológicos e desenvolveram a ária, tornando a ópera uma representação de solistas. Francesco Provenzale é considerado fundador da escola napolitana, que teve Alessandro Scarlatti (1659-1726) como sua figura mais importante.   

 

Da Itália a ópera expandiu-se por toda a Europa. Na França, o espetáculo precisou competir com o ballet de cour (balé da corte), que era o preferido pela nobreza local, mas foi um italiano - Giovanni Batista Lulli, que afrancesava seu nome para Jean Baptiste Lully - o responsável por sua introdução naquele país. Diretor do primeiro teatro francês especializado em ópera, a Academia Real de Música (depois Ópera de Paris), inaugurada em 1671, Lully iniciou suas atividades levando à cena peças pastorais.  Mais tarde, com o libretista Phillipe Quinault, criou a tragédia em música (tragédia lírica), gênero que daria origem à opera especificamente francesa. Baseada no drama falado, ela assimilou o estilo recitativo da ópera italiana, mas rejeitou os intermezzi cômicos.

 

No Brasil, o século 19 teve a grande figura de Carlos Gomes, que apesar de compor obras com libreto em italiano, e embora tremendamente influenciado pelos processos da ópera italiana, expressou na música o sentimento que lhe inspirava a natureza do país.

 

Entre as óperas mais famosas podem ser citadas:

 

- Carmem, de Georges Bizet.

- Der Ring des Nibelungen, Der Fliegende Hollânder, Tannhäuser, Lohengrin e Parsifal, de Richard Wagner.

- Nabucco, Il Trovatore, La Traviata, Rigoletto, Um Ballo in Maschera, Don Carlos, Aída, Otelo e Falstaff, de Giuseppe Verdi.

- Manon Lescaut, La Bohéme, Turandot e Tosca, de Giuseppe Puccini.

- Don Giovanni, Le Nozze di Figaro e Die Zauberflöte, de Wolfgang Amadeus Mozart.

- Lucia di Lammermoor, Don Pasquale e L’Elisir d’Amore, de Gaetano Donizetti.

- O Barbeiro de Sevilha, Guilherme Tell e La Gazza Ladra, de Gioacchino Rossini.

- Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni.

- I Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo.

- Der Freischütz, de Carl Maria von Weber

- La Giocconda, de Amilcare Ponchielli.

 

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