Teatro - DRAMA
Drama é uma peça teatral de estilo sério, entre a comédia e a tragédia, uma narração animada que representa ao vivo os atos e as palavras dos personagens. Sendo assim, o gênero dramático oscila entre significados e usos amplos e diferentes, podendo ser definido como uma representação ou um texto caracterizado por acontecimento baseado em conflitos de ordem social, política, religiosa, etc. De inspiração quase sempre realista, retira da vida cotidiana os fatos, os personagens, a língua e a ambientação com os quais se materializa.
No drama integram-se como formas a farsa, a tragédia, a comédia, o drama satírico, o mimo, a pantomima, a tragicomédia, os mistérios, o auto, etc., características que o tornaram conhecido através de um sem número de exemplos históricos, nos quais assumiu funções e significações diversas nas mais variadas culturas.
Os exemplos são a tragédia e a comédia gregas, os mistérios e moralidades da Idade Média cristã, a commedia dell’arte, o drama clássico francês, a comédia de costumes, o drama pastoril, o drama expressionista ou intimista, psicológico, simbolista e outros mais. Toda essa produção associa, com originalidade, a expressão dramática a certa visão do mundo defendida por uma sociedade ou um indivíduo.
Nos tempos antigos, e especialmente entre os gregos, o drama era uma forma de literatura destinada a ser interpretada para um público, pelos atores que personificavam os personagens, recitando os monólogos ou diálogos, e representando as ações da história. Compreendia tanto a tragédia como a comédia, mas, na realidade, distinguia-se pela mistura que nele se fazia de uma e outra. A antiguidade clássica (um longo período da história da Europa que se estende aproximadamente do século 8 antes de Cristo, com o surgimento da poesia grega de Homero, à queda do Império romano do ocidente no século 5 depois de Cristo, mais precisamente no ano 476) só conheceu o drama satírico, obra patética em algumas de suas partes, jocosa em outras, cômica pelo seu desenlace, gênero misto cuja invenção se atribui a Pratinas, poeta trágico de Atenas.
Os personagens eram convencionais: Sileno, Pã, sátiros e bacantes opondo-se aos semideuses e aos heróis, excitando dessa forma a alegria do público pelo contraste. Em Roma, certos fragmentos das Comédias de Plauto e de Terência, podem, de alguma forma, chamar-se dramáticos, Na Idade Média, o drama litúrgico tirou as suas origens das cerimônias de Cristo, mas foi na França, no século 17, que surgiu uma arte bem semelhante ao drama, arte essa que ao longo do tempo recebeu diversos significados, mas mantendo sempre seu caráter fundamental.
O filósofo alemão Hegel definiu o gênero dramático como sendo “aquele que reúne em si a objetividade da epopéia com o princípio subjetivo da lírica”, e sendo assim, ele uniria as duas formas por não se satisfazer com nenhuma delas separadamente. Mas bem antes deles o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) já sustentava que o drama era “um organismo no qual todas as partes são pela idéia do todo, e nele tudo motiva tudo”.
De 1826 a 1845 o gênero dramático fez a sua mais bela carreira, mas depois entrou em decadência, caindo no melodrama. O drama, então, excitando justamente o desdém dos críticos, caiu cada vez mais, enquanto que o gosto do público se voltava para a comédia de costumes e para a peça psicológica,
No drama, a função do narrador é absorvida pelo ator que assume a personagem, sendo o diálogo a forma pela qual ele verbaliza e comunica a trama. Para que através da ação se produza o diálogo (palavras e gestos), é imperativo que se contraponham vontades, e o que se chama de dramático, em sentido estilístico, refere-se particularmente ao entrechoque de vontades e a tensão criada através da manifestação de concepções e objetivos opostos ou contrários, produzindo o conflito.
O texto literário dramático é composto basicamente de diálogos. Falta-lhe, portanto, a leitura narrativa que situe as personagens no ambiente e lhes descreva o comportamento, o aspecto físico, etc. O personagem do drama só adquire existência artística real quando, das páginas do texto, pula para o palco e, mediada pelo ator, sozinho, caracteriza todo o fenômeno do teatro, tornando-se autônomo até em relação ao autor, cujo papel se extingue na medida em que o texto adquire vida própria como peça representada, transformando-se em espetáculo do qual o espectador também é parte integrante.
Portanto, é fundamental distinguir o teatro do texto escrito. O primeiro, que se alicerça no drama, é essencialmente ação cênica, enquanto o texto literário (que o teatro pode até dispensar) forma o documento dramático que propicia, mas não constitui, a representação da ação.
Teatro é ação. E o personagem teatral, para dirigir-se ao público, dispensa a mediação do narrador, razão pela qual a história não é contada, mas mostrada como se fosse a própria realidade. O personagem teatral é, pois, a encarnação da realidade humana e social.





