A a D - AMULETOS
Os amuletos são figuras, medalhas, colares, pulseiras ou qualquer outro objeto que alguém traz consigo, atribuindo-lhe a virtude de afastar desgraças, doenças, feitiços ou malefícios que possam causar-lhe mal. Embora sua origem remonte a tempos de que não se tem memória, sabe-se, contudo, que os antigos caldeus, egípcios, judeus e persas foram os povos que mais os empregaram, seja em figuras de deuses, seja em anéis ou fragmentos de pergaminho em que estavam traçados sinais mágicos ou versículos dos livros sagrados. A adoção de amuletos entre os gregos e romanos deve-se, provavelmente, às relações desses povos com as culturas asiáticas.
O homem sempre sentiu a necessidade de possuir objetos simbólicos que lhe dessem confiança e segurança, e por isso o uso de amuletos é observado em praticamente todos os povos do mundo, aparecendo nas culturas modernas sob formas diferentes, como o pé de coelho, os trevos de quatro folhas, as ferraduras, os anéis com a pedra do signo e as moedas de boa sorte. Além deles, um outro tipo de amuleto também muito usado pelos que acreditam nesse tipo de recurso, é o patuá, uma bolsinha de couro, seda ou algodão, guardando objetos mágicos, que as pessoas carregam junto ao corpo como forma de proteção contra malefícios, em geral, ou para atrair determinadas coisas boas, como o amor, por exemplo.
Houve tempo em que Deus pronunciou severa admoestação contra os falsos profetas de Israel que usavam amuletos copiados das superstições pagãs. Na Bíblia, em Ezequiel 13:18,20-21, está escrito que “Assim diz o Senhor Deus: Ai daqueles que cosem faixas para todos os punhos, que confeccionam véus para as cabeças de todos os tamanhos, com o fito de fazerem caça às almas...”. “Eis porque diz o Senhor: vou contra as ligaduras de que vos servis para dar caça às almas, eu as arrancarei de vossos braços e darei vôo às almas que, como pássaros, apanhastes na armadilha. Rasgarei do mesmo modo os vossos véus e livrarei o meu povo de vossas mãos, a fim de que deixem ser laços entre as vossas mãos. E sabereis assim que eu sou o Senhor”.
Segundo o professor Cláudio Moreno, “Em geral, o amuleto é um objeto pequeno, comumente levado no pescoço ou na roupa, ao qual se atribuem virtudes mágicas. Diferentemente do talismã, o amuleto tem uma ação defensiva: protege o seu portador das influências maléficas e das desgraças trazidas pelo mau-olhado. No Brasil, os mais populares são a figa, a pata de coelho e o trevo de quatro folhas.... Ao contrário do amuleto, que exerce apenas uma função protetora, o talismã tem poderes ativos, geralmente facilitando a realização dos desejos de seu possuidor”.
No Brasil, a crença no poder mágico dos amuletos vem dos tempos coloniais, extraída que foi das tradições indígenas e africanas, mas mesmo sendo possível que de lá para cá tenham ocorrido mudanças no formato desses objetos, o poder que supostamente deles emana não sofreu qualquer alteração. Entre os mais conhecidos estão o pé-de-coelho, a figa, o olho de cabra, a ferradura e o trevo-de-quatro-folhas, mas o golfinho, a tartaruga, a lua, o elefante também são procurados pelos que desejam ventos favoráveis soprando em sua caminhada ao longo da estrada da vida.
Na literatura que trata das magias, feitiços e crendices, encontra-se a receita para carregar positivamente um amuleto ou talismã: segundo ela , basta introduzir a quarta parte da peça escolhida em um pequeno monte de sal grosso colocado sobre um prato de louça branca, porque caso ela seja coberta totalmente, perderá a energia adquirida. O passo seguinte será o de expô-la à luz da lua, procedimento a ser feito de acordo com o símbolo que se tem, tomando-se cuidado para que depois de tudo pronto, ninguém, a não ser o dono, ponha as mãos no amuleto, para que ele não perca o seu poder.
Lembrete final: os amuletos carregados pelas pessoas deverão permanecer escondidos, fora do alcance de olhares indiscretos, enquanto os mantidos em casa precisam ficar guardados em locais secundários da residência.





