Vermes - MINHOCA
As minhocas pertencem ao grupo dos anelídeos, classe de invertebrados que também inclui as sanguessugas. Elas são vermes roliços cujo corpo tem de 10 a 20 centímetros de comprimento, e vivem preferentemente debaixo das pedras ou em terrenos úmidos e ricos em matéria orgânica. Seus hábitos são principalmente noturnos, mantendo-se à flor da terra nas horas de escuridão e quando chove, ou descendo para as camadas mais profundas do solo durante as épocas de seca. Dependendo da qualidade do solo, é maior ou menor a quantidade de minhocas, sendo possível encontrar-se em determinados locais até 8.000 delas por metro quadrado de terreno.
Para se enterrar no chão elas vão afinando e engrossando o corpo sucessivamente, conforme a necessidade, ou então abrindo caminho comendo a terra, que atravessa seu tubo digestivo e sai do outro lado. O corpo da minhoca compreende um tubo muscular preenchido de fluído, e como este não pode ser comprimido, é a pressão hidráulica que regula a ação dos músculos e faz com que ela estique e empurre a ponta do corpo através do solo, ficando mais curta e gorda quando a musculatura está relaxada, e estendendo-se com o esforço seguinte para avançar outra vez. E assim, esticando ou descansando os músculos, a minhoca consegue arrastar-se vagarosamente para onde deseja, já que a contra-pressão hidráulica torna seu tubo constante e flexível.
A alimentação das minhocas não se restringe à matéria orgânica existente no solo, pois elas também levam folhas e outras substâncias vegetais para os seus túneis, embora quase nunca ataquem diretamente as raízes das plantas. Mas ocasionalmente podem se associar à destruição de tecidos vegetais lesados, secundando o ataque inicial promovido por outros seres. Seu aparelho digestivo é completo, iniciando-se na boca e terminando no ânus. Na sua porção anterior, há uma grande câmara, o papo, e, em seguida, uma moela, que tritura o alimento. Segue-se um longo intestino, até o ânus, no último segmento. Quando precisam esvaziar seu tubo digestivo esses vermes vêm à superfície, e é procedendo dessa maneira que eles contribuem de forma eficiente para o revolvimento da terra.
Entre as características especiais de sua anatomia está a de que são hermafroditas, ou seja, possuem órgãos de reprodução tanto masculinos quanto femininos (testículos e ovários), mas como não têm a capacidade de fecundarem a si próprias, precisam então de um parceiro para garantir a reprodução da espécie. Assim, no momento do acasalamento uma fica com a cabeça paralela à cauda da outra para que possa ocorrer a troca de esperma, que passa diretamente do canal masculino de uma para o canal feminino da outra. Feita a troca de espermatozóides, os dois vermes se separam, e em seguida, cada um deles produz um casulo cheio de ovos e o deposita no solo. Após alguns dias, pequenos vermes saem dos casulos. Dessa forma fica preservada a função fundamental do sexo, que é a mistura dos genes de indivíduos diferentes para permitir a produção de filhotes também diferentes.
Outro detalhe interessante é que as minhocas não têm pulmões. Sua epiderme é coberta por uma fina cutícula de quitina, matéria orgânica que produz bastante muco, o que as torna viscosas e diminui o atrito durante o arrastamento. Em sua pele, na região ventral, existem fileiras de microscópicas cerdas de quitina, cujas pontas, ao serem fixadas no solo, facilitam-lhe o avanço quando contrai a forte musculatura da parede do corpo. O muco ainda protege a pele quando em contato com substâncias tóxicas ou nocivas e garante a umidade indispensável para as trocas dos gases respiratórios em toda a superfície do corpo É a chamada respiração cutânea.
Mas o que mais surpreende nesses pequenos vermes da terra é o complexo sistema circulatório que possuem, composto por dois vasos sanguíneos principais que se estendem por todo o corpo no sentido do comprimento, com uma grande rede de vasos muito finos, os capilares, sob a pele, para a troca de gases com o ambiente. Um dos vasos é a artéria ventral, por onde circula o sangue que leva o oxigênio aos órgãos, e o outro o dorsal, que traz o sangue de volta, ambos ligados aos corações que possuem e cujo número varia de dois até quinze pares. O sangue é vermelho por causa da hemoglobina, o mesmo pigmento encontrado nos glóbulos vermelhos dos vertebrados. Esses corações são bolsas em formato de arco, com movimentos regulares de dilatação e contração que empurram o sangue para frente e permitem sua distribuição por todo o corpo desses pequenos seres invertebrados, encontrados geralmente em variedades com poucos centímetros de comprimento, embora existam outras cujo tamanho vai de um a dois metros, como é o caso do minhocuçu.
No site www.cati.sp.gov.br/novacati/tecnologia, o engenheiro agrônomo Ângelo Artur Martinez publica texto intitulado Minhocário, no qual esclarece que “A criação de minhocas (minhocultura) é, entre nós, uma atividade recente e desconhecida do grande público. A exemplo dos demais países da América do Sul, ela teve início no final de 1983, com matrizes trazidas da Itália pelo Comendador Lino Morganti, para a sua propriedade em ltu (SP). Thomas Barret, considerado o pai da criação de minhocas em cativeiro, foi o primeiro a demonstrar a viabilidade de criá-las em larga escala, através de um sofisticado sistema de canteiros, na década de 40, nos EUA, daí ser esse país considerado a pátria da minhocultura”.
“O comércio de minhocas vivas como isca para a pesca esportiva, tem sido o grande responsável pelo desenvolvimento da minhocultura em muitos países. Nos Estados Unidos estima-se que os 100 milhões de pescadores ali existentes movimentam centenas de milhões de dólares anuais com o comércio de minhocas para finalidades esportivas, dispondo, para tanto, até de containers de tipo caixa 24 horas. No Brasil, os baixos investimentos exigidos na sua criação têm levado muitas pessoas a se interessarem em explorar a minhocultura como uma fonte de carne (proteína) barata para a alimentação de pequenos animais, como rãs, peixes, aves, camarão-de-água-doce, e, principalmente, na produção de húmus, esterco de minhoca ou vermicomposto (terra vegetal), para fins de jardinagem, de paisagismo e da agricultura em geral, capaz de proporcionar-lhes um rendimento extra”.





