R a U - SEXTA-FEIRA 13

Os supersticiosos acreditam que o dia 13 é sinônimo de azar, principalmente se cair numa sexta-feira. A explicação para essa crendice popular entre os cristãos é a de que Jesus Cristo foi crucificado em um desses dias da semana, e que na sua última ceia havia treze pessoas sentadas à mesa. Na tela famosa de Leonardo da Vinci (A Ceia Sagrada), doze apóstolos e o Salvador aparecem ao redor da mesa, daí surgindo a certeza dos supersticiosos de que a morte de Jesus foi decorrente desse número tido como fatídico.

 

Mas essa hipótese não é aceita por muitos pesquisadores. Uma tradição hebraica, por sinal bem anterior a Cristo, já dizia que Adão e Eva haviam comido o fruto proibido em uma sexta-feira, e que nesse mesmo dia eles haviam sido expulsos para sempre do paraíso. Por outro lado, na antiga numeração hebraica, os números eram representados por letras, e a que indicava a quantidade treze era a mesma usada para a palavra morte. Também na Índia, muitos séculos antes de Jesus Cristo, já existia a crença de que a desgraça sempre fere um dos convivas quando estes são em número de treze ao redor da mesa.

 

O escritor Malba Tahan relata em seu livro Os Números Governam o Mundo, que “na mitologia norueguesa existe, com efeito, uma tradição que se refere ao seguinte episódio: os doze maiores deuses encontravam-se à mesa quando, de súbito, entrou Loki, o deus do mal, a fim de tomar parte na ceia. Com a chegada de Loki o número de convivas passou a ser treze. Ao terminar a reunião surgiu grave desavença entre o irascível Loki, deus do mal, e Baldur, deus da paz. Reza a lenda que Loki matou o seu adversário com uma flecha de agárico”. Em outro relato, os antigos nórdicos e alemães veneravam Friga como deusa da beleza e do amor. Mas esses povos acabaram convertidos ao cristianismo e com isso a deusa passou a ser encarada como bruxa. Cheia de rancor, Friga decidiu vingar-se dos que a haviam abandonado e por isso passou a se reunir todas as sextas-feiras com o demônio e outras onze companheiras de bruxarias, para rogar pragas e todo o tipo de malefícios aos seres humanos.

 

Uma quarta versão pouco conhecida sobre a má fama que acompanha as sextas-feiras, 13, diz que ela é decorrente de uma briga entre o rei francês Filipe IV (1268-1314), cognominado o Belo, e a Ordem dos Templários, no século XIV. Na época, a França estava próxima da falência econômica e Filipe decidiu que os membros da Igreja deveriam pagar impostos ao reino. Excomungado pelo papa Bonifácio VIII, que se indignou diante dessa decisão, o rei replicou com a proibição da saída de dinheiro do país, criando com isso um confronto político só superado após a morte do papa e sua substituição por Clemente V. A partir daí se iniciou a perseguição à  Ordem dos Templários (um grupo de cavaleiros cristãos), que provocou a sua extinção, mas nesse meio-tempo o rei Filipe IV ordenou a prisão e tortura de cinco mil cavaleiros, o que aconteceu em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307.

 

A superstição envolvendo o número treze aparece em um sem número de exemplos, como no Tarot , onde a carta 13 tem a figura de um esqueleto armado de enorme foice, simbolizando a morte. E é ainda mais firme quando se liga às sextas-feiras, em um casamento que apesar de mal visto por muita gente, acontece em média cerca de 172 vezes a cada cem anos.

 

Alguns textos afirmam que a crença na má sorte do número 13 parece ter tido sua origem na Sagrada Escritura, mas esse testemunho é contestado pelo conhecimento de que o mesmo algarismo, em algumas regiões do planeta, é tido como símbolo de boa sorte. Um deles diz que “O argumento dos otimistas se baseia no fato de que o 13 é um número afim ao 4 (1 3 = 4), sendo este símbolo de próspera sorte. Assim, na Índia, o 13 é um número religioso muito apreciado; os pagodes hindus apresentam normalmente 13 estátuas de Buda. Na China, não raro os dísticos místicos dos templos são encabeçados pelo número 13. Também os mexicanos primitivos consideravam o número 13 como algo santo; adoravam, por exemplo, 13 cabras sagradas. Reportando-nos agora à civilização cristã, lembramos que nos Estados Unidos o número 13 goza de estima, pois 13 eram os Estados que inicialmente constituíam a Federação norte-americana. Além disso, o lema latino da Federação, 'E pluribus unum' (de muitos se faz um só), consta de 13 letras; a águia norte-americana está revestida de 13 penas em cada asa”.

 

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