Greco-romana - HÉRCULES 11 - MAÇÃS DE OURO DAS HESPÉRIDES, AS

As Hespérides eram ninfas quase sempre apresentadas como filhas da Noite e de Héspero, e encarregadas de guardar as maçãs de ouro que a deusa Geia, ou Terra, havia dado a Hera (Juno) como presente de casamento. Elas eram três, Egle, Eritéia e Hespéria, mas algumas vezes quatro e outras sete, que habitavam uma ilha vizinha ao monte Atlas (na verdade um sistema montanhoso que se estende por 2.300 quilômetros no norte da África, indo do Marrocos a Tunísia, atravessando a Argélia) e desempenhavam sua missão de vigília em companhia de Ladon, um dragão de cem cabeças que a rainha do Olimpo havia lhes dado para que o mesmo as ajudasse no exato cumprimento da tarefa de que eram responsáveis.  

 

Segundo a lenda mais conhecida, Hércules matou o dragão, colheu as frutas que precisava e levou-as a Euristeu, em Micenas. Em outra versão, ele recebeu as maçãs das mãos do gigante Atlas – um dos titãs que fizera guerra aos deuses e, depois da derrota, fora condenado a sustentar nos ombros o peso do céu -, que as colhera enquanto o herói, durante o tempo necessário, assumia o seu lugar no penoso castigo que lhe fora aplicado pelos deuses. Relatado dessa forma, tudo parece ter sido fácil e rápido, mas, de forma geral, os textos que relatam o penúltimo trabalho de Hércules o apontam como tendo sido o de realização mais difícil porque o herói grego não tinha a menor idéia de como encontrar os pomos de ouro das Hespérides. Por isso, não sabendo exatamente aonde ir, ele vagou sem rumo por vários lugares em busca da informação desejada, enfrentou vários perigos, praticando algumas façanhas durante a longa caminhada que empreendeu.

 

Numa delas enfrentou e matou Cicno - filho de Marte (Ares), deus da guerra -, para livrar os viajantes dos assaltos sanguinários praticados por esse bandoleiro das estradas.  Marte bem que tentou vingar o filho morto, mas nesse encontro foi ferido por uma flecha de Hércules e por isso retirou-se para o Olimpo a fim de tratar-se.

 

De outra feita, ao atravessar a Líbia, Hércules encontrou-se com Anteu, filho da deusa Terra (Geia, ou Gaia), poderoso gigante e lutador, dono de uma força invencível enquanto estivesse em contato com sua mãe. Ele obrigava todos os estrangeiros que apareciam em seu país a lutar com ele, com a condição de que se fossem vencidos (como sempre eram), seriam mortos. Hércules enfrentou-o em um combate difícil, porque toda vez que derrubava seu oponente, este, em contato com o chão, recuperava imediatamente as forças e erguia-se com redobrado vigor, pronto para continuar lutando como se nada tivesse acontecido. Ao descobrir qual era o segredo do seu oponente, Hércules levantou o gigante no ar e o estrangulou.

 

Passando pelo Egito ele se viu às voltas com Busiris, filho de Posseidon (Netuno), um rei que costumava sacrificar os estrangeiros para evitar a seca em seu reino, sendo forçado a liquidá-lo. Mais adiante, ao saber por intermédio de algumas ninfas que Nereu, ou Nereus (que tinha o Mediterrâneo como reino, e mais especificamente o mar Egeu), pai das Nereiades, poderia lhe dizer o que precisava saber, Hércules foi levado até ele, convencendo-o a lhe dar o rumo certo que deveria tomar para chegar às Hespérides (algumas versões sustentam que os dois tiveram que lutar antes de Nereu se dispor a revelar o que sabia).

 

Foi assim que Hércules encontrou Atlas em uma região no noroeste da África, e como tinha sido avisado pelas ninfas de que não deveria colher pessoalmente as maças de ouro, mas sim deixar que o titã o fizesse, ele aceitou colocar sobre si os pilares do céu, enquanto Atlas providenciava a coleta dos pomos que precisava levar. Ao retornar, este avisou que ele próprio levaria as maçãs de ouro a Euristeu, com o que Hércules concordou, pedindo apenas que os dois trocassem de lugar por alguns momentos, a fim de que pudesse colocar no ombro uma almofada para aliviar a pressão do enorme peso depositado sobre ele. Assim fizeram, e tão logo Hércules se viu livre da carga que carregara por pouco tempo, pegou as maças de ouro e foi-se embora sem olhar para trás, deixando Atlas na condição em que se encontra até hoje: com o céu apoiado em seus ombros.

 

Como nada mais havia a ser feito naquelas paragens, Hércules retornou a Micenas com as maçãs de ouro e as entregou ao rei Euristeu, que por sua vez as repassou de imediato para as mãos da deusa Atena. Esta, a mando da deusa Hera, verdadeira proprietária dos frutos, devolveu-as, então, ao Jardim das Hespérides, pois esse era o seu verdadeiro lugar.

 

Em outra lenda envolvendo as Hespérides, os Argonautas, chegaram até elas levados pela sede, e pediram-lhes que indicassem uma fonte onde pudessem encontrar boa água, mas em resposta foram transformados em pó. Todavia, isso não os amedrontou nem desanimou: eles suplicaram a atenção dos deuses, que os ouviram e lhes devolveram a forma primitiva. Quanto às ninfas, foram transformadas em árvores: Hespéria em choupo; Eirtéia em olmo; e Egle em salgueiro.

 

Para Thomaz Bulfinch, autor de “O Livro de Ouro da Mitologia”, “Os poetas, levados pela analogia do lindo aspecto do céu ao sol poente, no crepúsculo, imaginavam o Ocidente como uma região de brilho e beleza, ali colocando as Ilhas Afortunadas, a vermelha Ilha Eritéia, na qual pastavam os bois de Gerião, e a Ilha das Hespérides. Supõe-se que as maças douradas eram as laranjas da Espanha, sobre as quais os gregos teriam informações incompletas”.


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