Peixes - CAVALO-MARINHO

O cavalo marinho é um peixe ósseo pertencente ao gênero Hippocampus, do qual 32 espécies são encontradas nos mares temperados e quentes do globo, junto à costa e em profundidades que variam de 8 a 45 metros. No Brasil existem apenas duas delas, a Hippocampus reidi e Hippocampus erectus, a primeira preferindo os estuários (especialmente manguezais), e a segunda as regiões costeiras de norte a sul, inclusive a gaúcha, onde as temperaturas de inverno são consideradas baixas para um peixe tropical.

 

As duas estão incluídas na lista dos animais considerados como ameaçados de extinção pelos órgãos de proteção à natureza, especialmente as de regiões estuarinas de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, em virtude da influência poluente e predatória exercida pelo homem sobre as condições naturais dessas comunidades biológicas.

 

O cavalo-marinho possui cabeça alongada como a de um cavalo, separada do corpo por um pescoço relativamente comprido. Tem 15 centímetros de comprimento, em média (tamanho máximo de 18 centímetros na espécie brasileira de maior porte, Hippocampis reidi), e entre 50 e 100 gramas de peso, com corpo e cauda recobertos por placas em forma de anel que lhe servem de proteção contra os inimigos. Ele nada em posição vertical, de cabeça para cima, vibrando com velocidade a barbatana dorsal, mas como essa sua capacidade natatória é bem limitada, prefere viver nas águas calmas e abrigadas dos estuários, onde existem algas e plantas marinhas nas quais se prende com a cauda preênsil (que tem a faculdade de agarrar, apanhar ou segurar, assim como acontece com a tromba dos elefantes ou tentáculos dos polvos), só saindo de lá quando a comida escasseia. Por isso sua alimentação tem como base o que passa ao seu alcance, tal como moluscos e crustáceos de tamanho diminuto, além de plâncton, que são sugados através do seu focinho tubular (ele não come o que não se movimenta).

 

Quanto à reprodução, que ocorre durante a primavera, ela constitui um dos procedimentos mais interessantes e curiosos da natureza, porque os machos é que ficam grávidos (ilustração). Chegado o momento do acasalamento, cujo ritual consiste em cambalhotas seguidas dadas pelo par interessado na união, a fêmea introduz o tubo ovopositor que possui, na bolsa incubadora que o macho tem à altura do ventre, e por ele transfere todos os seus ovos (eles podem atingir várias centenas). Estes, por sua vez, são fecundados internamente, iniciando-se, então o período de gravidez. Nesta fase o macho se encarrega de satisfazer as necessidades dos embriões em desenvolvimento, e após duas a três semanas eles nascem já completamente formados, sendo expelidos em pequenos grupos pela abertura da bolsa, num parto que pode durar de várias horas a dois ou três dias. Segundo os técnicos, “os cavalos-marinhos desenvolveram a mais perfeita adaptação anatômica (bolsa incubadora, ou falso marsúpio) para a incubação dos ovos e embriões, que além de protegê-los do choque osmótico em relação à água do mar, é responsável pela transferência de cálcio, para formação do esqueleto do embrião, e de fatores de crescimento como hormônios e vitaminas”.

 

A média de cada gestação é de 500 indivíduos, mas como a taxa de sobrevivência natural é extremamente baixa, somente 3% dos cavalos-marinhos recém-nascidos atingirão a idade adulta. Quando expelidos da bolsa do pai eles são transparentes, de tamanho pouco maior que um centímetro, e sobem logo à superfície para encher suas bexigas natatórias com ar, única maneira que têm para equilibrar-se na água. Mas embora a natureza lhes tenha dado a capacidade de cuidar da própria alimentação (zôoplâncton) desde o primeiro dia de vida eles são, também, presas fáceis de todo os animais carnívoros que habitam os manguezais, como caranguejos, outros peixes e tartarugas marinhas.

 

Geralmente eles são amarelos ou vermelhos, mas têm a capacidade de mudar de cor (mimetismo) como acontece com o camaleão, ou seja, podem se tornar amarelos, verdes ou alaranjados, confundindo-se, assim, com o ambiente onde se abrigam, para escapar de possíveis predadores. Outra particularidade interessante é que seus olhos possuem movimentos independentes, de forma que cada um deles pode se voltar para determinada direção, aumentando seu alcance visual e lhe prevenindo, assim, sobre a presença de inimigos ou alimentos em área de diâmetro bem maior.

 

A pesca abusiva e predatória tem diminuindo o número de cavalos-marinhos em todo o mundo. Por serem peixes de interesse econômico tanto para lojas de aquários como para a indústria farmacêutica oriental, mais de 20 milhões deles são vendidos anualmente, com variadas finalidades, o que provocou sua inclusão, em 1996, na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). No ano seguinte, foi a vez da Comunidade Européia acrescentar o nome de todas as espécies de cavalos-marinhos no anexo D de sua lista que trata do mesmo assunto.

 

Embora o Brasil figure entre os exportadores de cavalos-marinhos, não se conhece qualquer dado sobre a pesca deles em nosso território. Ao mesmo tempo, não existe nenhum tipo de controle ou anotações confiáveis sobre esse tipo de comercialização no mercado interno, nem registros disponíveis quanto à exportação quantitativa e lugar de destino, e por isso as informações porventura encontradas são insuficientes para determinar o real alcance dessa atividade. Também não existe proteção determinada através de lei específica para os cavalos-marinhos, da mesma forma como são insuficientes os estudos de laboratório ou no ambiente dos Hippocampus.

 

Daí que e ignorância sobre sua biologia tem acelerado o processo de extinção das duas espécies existentes no Brasil.


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