Peixes - PEIXE-PALHAÇO
As águas tropicais dos oceanos Índico e Pacífico abrigam 27 espécies de um tipo de peixe muito procurado pelos aquariófilos, ou aquaristas, indivíduos dedicados à criação de peixes em aquários. Conhecidos popularmente pelo nome de peixe-palhaço, ou anfitrião, eles estão agrupados em duas famílias: Amphiprion e Premnas, que por sua vez se distribuem em várias subfamílias de tamanhos variados, como, por exemplo, a Amphiprion ocellaris, natural da Indonésia, Singapura, Austrália, Filipinas, com 17cm de tamanho e sem sexo definido ao nascer (no futuro o mais dominante do grupo se transformará em uma fêmea); ou a Premnas biaculeatus, ou Palhaço maroon, das Ilhas Marshall, com 11cm e vivendo em pares onde os machos são muito menores que as fêmeas.
Na natureza os peixes-palhaço preferem os ambientes de baixa profundidade, e como são pequenos e aparentemente frágeis, embora fortes e ágeis em sua movimentação, procuram a companhia das anêmonas-do-mar, animais que se prendem às camadas de rocha por um pé adesivo. Armada em seus muitos tentáculos (que podem variar de 10 a 100, conforme a espécie) com dardos minúsculos contendo veneno altamente tóxico para peixes e crustáceos, as anêmonas os disparam contra qualquer coisa que as toque ou se aproxime, e é dessa forma que conseguem garantir a alimentação de que precisam. Como os peixes-palhaço são imunes a esse veneno devido a uma camada de muco (líquido viscoso) que lhes reveste o corpo, eles se escondem entre elas, protegendo-se dessa forma dos predadores. Porém, e por razões ainda não conhecidas, essa imunidade contra a ação do veneno só acontece nos exemplares sadios, porque os doentes são mortos por ele.
Mas nem todos os 6.000 tipos de anêmonas existentes servem de esconderijo para os peixes-palhaço. Em razão disso, cada espécie do peixe utiliza como refúgio somente algumas delas, e o motivo dessa preferência também é desconhecido. Essa relação é proveitosa para ambos. Se de um lado eles conseguem escapar dos que poderiam lhes fazer mal encontrando segurança entre os tentáculos das anêmonas, inclusive um lugar para depositar os ovos que vão garantir a sobrevivência da família, de outro, e em troca da proteção recebida, também lhes são de boa valia não só porque as protegem de alguns predadores marinhos (o peixe-borboleta, por exemplo, se alimenta dos seus tentáculos), como promovem a limpeza de suas protetoras quanto a parasitas e sujeira, além de coletar e fornecer alimento para elas.
Pequeninos no tamanho (que em geral pode variar de 8 a 10cm), e pesando no máximo 150 gramas, têm a cor vermelha-ferrugem, com três listras verticais brancas, de contorno negro (a central se projeta para frente). A cabeça é curta, a boca pequena, os dentes pouco desenvolvidos, as nadadeiras arredondadas e com a mesma coloração do corpo.
Na Grande Barreira de Recifes da Austrália, peixes-palhaço do tamanho de um polegar nascem machos, mas mudam de sexo depois que crescem. O grupo familiar é dominado pela fêmea maior, que acasala com os machos do grupo. Dos seus filhotes, alguns acabam se desgarrando, juntando-se a outros cardumes, ou então se tornando nômades, e por isso desaparecem cedo. Todos eles nascem machos, mas de acordo com a necessidade mudam de sexo através de uma transformação hormonal. Quando, por exemplo, não há nenhuma outra fêmea no cardume, o macho mais forte ocupa o seu lugar, de modo a poder dar cria e zelar por elas.
Essa anomalia, ou desvio de um padrão sexual normal, só acontece porque o peixe-palhaço é um animal hermafrodita protândrico, um tipo de hermafroditismo que ocorre em várias espécies como forma de garantir a sobrevivência das mesmas. Ou seja, esse mecanismo é utilizado toda vez que surge a necessidade de equilibrar o número de machos e fêmeas em um determinado meio, com claros fins reprodutivos. Em razão disso as fêmeas também podem se transformar em machos (hermafroditismo protogínico) quando se torna preciso aumentar o número dos mesmos na população da espécie, porque são eles que protegem o local da desova.
Os peixes-palhaço são considerados espécies resistentes em aquários, podendo conviver com a maior parte dos peixes que existem no mercado, exceção feita aos que podem transformá-los em refeição (moréias, por exemplo). Segundo os aquaristas, a melhor companhia para um deles é um outro exemplar da mesma espécie. Dessa forma, se dois indivíduos jovens e de tamanho semelhante forem colocados no mesmo recipiente ou tanque, acabarão formando um casal que após algum tempo iniciará normalmente sua atividade reprodutora.
Para os criadores, esses peixes, quando nascidos em aquário, são mais resistentes que os apanhados na natureza. Isso acontece por alguns motivos, entre eles o de que são mais familiarizados com humanos e por isso adotam um comportamento menos agressivo ou assustado quando alguém se aproxima. Além disso, os recolhidos em seus lugares de habitação natural estão sujeitos a várias situações estressantes, como a mudança brusca de ambiente, por exemplo.
Para os interessados em ingressar nesse tipo de criatório, é sempre oportuno lembrar que eles devem, antes de tudo, aprender o mínimo necessário sobre os peixes, para que não sejam mal sucedidos nessa empreitada aparentemente simples, mas que requer conhecimentos adequados sobre alimentação, luz, água, etc.





