Greco-romana - ULISSES (Odisseus)
O herói grego Ulisses, filho de Laerte (ou de Sísifo) e de Anticléia, rei lendário de duas pequenas ilhas do mar Jônio, Itaca e Dulíquio, tem sua história dividida em dois ciclos: a Ilíada (com 15.693 versos abrigados em 24 cantos), que vai até a destruição de Tróia, e a Odisséia (com 12.110 versos contidos em 24 rapsódias), que inicia dessa forma o relato da sua volta à pátria.
"Canta para mim, ó Musa, o varão industrioso que, depois de haver saqueado a cidadela sagrada de Tróia, vagueou errante por inúmeras regiões, visitou cidades e conheceu o espírito de tantos homens; o varão que sobre o mar sofreu em seu íntimo, tormentos sem conta, lutando por sua vida e pelo regresso dos companheiros" (Homero - Odisséia, Rapsódia I).
Educado pelo centauro Quiron, assim como outros nobres de sua época, e submetido a diversas provas até tornar-se rei, ele inicialmente pretendeu sem sucesso conquistar a mão de Helena, cujo rapto posterior pelo tebano Páris desencadeou a guerra de Tróia. Mas depois casou com Penélope, que lhe deu um filho - Telêmaco -, e participou com outros príncipes gregos da guerra famosa, embora no início tenha relutado em fazê-lo. Foi graças ao ardil do cavalo de madeira, cuja idéia relatos posteriores atribuem a ele, que Tróia finalmente foi tomada e completamente destruída.
Após o incêndio da cidade Ulisses procurou voltar à terra natal, mas um temporal afastou suas naves da frota e deu início aos vinte anos de aventuras vividas pelo herói no Mediterrâneo, e que constituem o argumento da Odisséia. Durante esse tempo - em que foi protegido por Atena e perseguido por Posêidon, cujo filho Polifemo ele havia cegado - Ulisses conheceu muitos lugares e personagens, como a terra dos lotófagos, na África setentrional, e a dos lestrigões, no sul da Itália; as ilhas de Éolo; a feiticeira Circe, com quem teve um filho, Telégono, e o próprio Hades, ou reino dos mortos, participando de empresas arriscadas nas quais perdeu todos os companheiros e sobreviveu tão somente graças a sua sagacidade. Retido vários anos pela ninfa Calipso, o herói pôde enfim retornar a Ítaca disfarçado de mendigo, quando revelou sua identidade ao filho Telêmaco e depois matou os pretendentes à mão de Penélope, recuperando seu reino. É nesse ponto que a Odisséia chega ao seu final.
Sobre essa passagem, relatam os mitólogos que Ulisses apresentou-se, no seu palácio, sob os traços e o disfarce de um velho mendigo. Telêmaco foi o primeiro a quem seu pai se revelou e com quem planejou desfazer-se dos inimigos. O velho cão Argos, que deixara ao partir para a guerra e que:
“Vendo aproximar-se Ulisses, agitou a cauda e baixou a cabeça.
Faltaram-lhe forças para chegar até onde estava o seu senhor”.
Odisséia, XVII, 302-303
Persuasivo, refinado, ardiloso e engenhoso, Ulisses tornou-se um dos mais célebres heróis do ciclo de Tróia, e sua figura se caracteriza pela prudência, habilidade, eloqüência, coragem e confiança, representando acima de tudo o ideal grego da perfeição humana. Também chamado de Odisseus, seu nome ultrapassou o âmbito da mitologia grega e se converteu em símbolo da capacidade do homem para superar as adversidades que lhe surgem pela frente.
Ulisses foi morto por Telégono, filho de seus amores com Circe, quando, já velho e alquebrado, defendia os rebanhos de sua ilha.





