A a D - CAPELOBO

Também conhecido como cupelobo (na ilustração, desenho de Paulo Ítalo), este animal fantástico é fruto de uma crença que sobrevive há longo tempo nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, sendo geralmente descrito como sendo uma criatura com corpo humano e focinho de anta, ou tamanduá. Sua forma costumeira de buscar comida é a caçada feita à noite, quando procura os acampamentos e barracões situados no interior dos estados do Maranhão e do Pará, região onde vive, em busca de cães e gatos recém-nascidos com os quais possa se alimentar.

 

A lenda garante que o capelobo não se intimida diante de um bicho maior que ele, pois sempre consegue dominá-lo com facilidade, para depois lhe cortar o pescoço e beber o seu sangue. Sua presença nas proximidades de qualquer moradia isolada pode ser percebida com facilidade até mesmo por pessoas menos observadoras, pois além de seus pés com formato de fundo de garrafa deixarem rastros perfeitamente reconhecíveis a um simples olhar, ele também costuma soltar um grito medonho que é diferente de todos os outros gritos conhecidos. Os índios o identificam como lobisomem que só pode ser morto com um tiro dado na região do seu umbigo.

 

Alguns folcloristas sustentam a versão de que os indígenas da região do Xingu acreditam na transformação de certos irmãos seus em capelobos, embora admitam que sobre esse processo de modificação não existem informações que possam esclarecê-lo de forma satisfatória. Um outro relato garante que nas regiões de mata do Maranhão, principalmente na do rio Pindaré, que nasce nos contrafortes da serra da Desordem, existe um bicho feio e feroz conhecido como cupelobo, o que é sustentado pela descrição de que um índio timbira que andara caçando por aquelas paragens chegara a ver um deles, ouvindo seu grito medonho e depois percebendo suas pegadas redondas nas trilhas da floresta.

 

De acordo com a lenda criada a respeito desse animal misterioso e estranho, ele tem corpo de homem, mas seu focinho é igual ao de um tamanduá por uma razão assustadora: ao encontrar alguém andando desprevenido pela selva, ele o abraça com seus braços fortes, perfura-lhe o crânio na parte mais alta, introduz a ponta de seu focinho nesse orifício e sorve gulosamente toda a massa encefálica do infeliz. Depois  abandona no local o corpo da pobre vítima, para que outros animais possam se servir dele. Uma outra versão o apresenta com aparência que lembra a marmota em formato de gente, com mais ou menos dois metros de altura e somente um olho no meio da testa. Peludo e muito feio, tem o costume de perambular pelas várzeas, e não obstante o medo que inspira às pessoas, jamais se ouviu falar que causado mal a alguém.

 

O jornalista Pádua Carvalho, ao escrever sobre o assunto, cita um trecho do livro Folklore Brésilian, de F. J. de Santana Néri, editado em Paris, França, em 1889, obra de interesse para o os estudo das lendas, mitos e tradições populares e indígenas no Brasil. Nele é feita referência “ao ‘capelobo’, que no Pará é conhecido pelo nome de ‘kumacanga’, e que tanto pode ser o sétimo filho varão, oriundo de conúbio sacrílego, quanto a concubina de padre. Pelas noites de sexta-feira, o corpo fica em casa, despojado da cabeça, a qual sai pelos ares, transformada em bola de fogo. Assim, o mito da curacanga do Maranhão é o mesmo que o do Pará, divergindo apenas no nome, quanto à uma consoante. Viriato Correia, num dos seus livros de contos, dá à ‘mula-sem-cabeça’ a apelação de ‘cavalacanga’, que ouviu entre os habitantes do interior maranhense".

 

Outra versão diz que a lenda é muito comum na região dos rios do Pará e Maranhão, e que o nome Capelobo é uma fusão da palavra indígena cape, que significa osso quebrado, torto ou aleijado, com lobo. Segundo essa descrição, a criatura pode aparecer como uma anta de cabelos longos, de tamanho maior que as comuns, mais veloz que elas e com focinho  semelhante ao de um cão ou porco. Ou então com aparência de homem, mas com corpo arredondado e focinho de tamanduá.

 

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