A a D - BRUXAS
Segundo a crença popular, as bruxas simbolizam a maldade, a malquerença, a raiva e o ódio contra tudo que existe de bom e belo, e na sua representação mais conhecida ela aparece voando montada em um cabo de vassoura, tendo a lua-cheia como fundo. A mitologia greco-romana a figurava como uma ave, a estrige (ou coruja), que perseguia e comia crianças, mas foi na Idade Média, em razão da profunda religiosidade da época, e também do espírito místico dos povos do norte europeu, que essa figura misteriosa ganhou a reputação de gênio do mal que hoje a acompanha.
De forma geral, ainda hoje o povo atribui a este tipo de bruxa, que é a sobrenatural, os acontecimentos nefastos que não têm explicação plausível. Já com relação à bruxa personificada, conhecida como feiticeira, ela é aquela mulher que interfere no destino dos indivíduos fazendo fórmulas e simpatias para influenciar as pessoas, razão pela qual a população lhe atribui males como o quebranto, o encantamento, o feitiço e outros mais, e procura livrar-se deles valendo-se de rezas, benzeduras, leitura de salmos e outros recursos ligados à fé. Antigamente elas foram perseguidas e castigadas pela Inquisição, que condenou à morte na fogueira centenas dessas criaturas, mas as leis de hoje não as constrangem, a não ser em algum caso mais notório e prejudicial aos interesses coletivos.
A bruxaria existe desde a mais remota antiguidade, sendo curioso o fato de que foram as mulheres, e não os homens, que se entregaram em maior número a práticas dessa natureza. Chamadas de sibilas, ou profetisas, os poetas antigos lhes atribuíam diversas habilidades e poderes, entre estes os relacionados com os fenômenos astrológicos e astronômicos, e com os acontecimentos felizes ou funestos na vida de qualquer indivíduo. Na idade Média, os tribunais eclesiásticos e civis puniram severamente a prática de feitiçaria e bruxaria, responsabilizando bruxos e bruxas pelos malefícios causados tanto a particulares como à sociedade em geral.
Sobre esse período negro da história da humanidade, Starhawk, em seu livro A Dança Cósmica da Feiticeira, nos traz:
“A perseguição começou lentamente... A feitiçaria foi declarada como um ato de heresia, e em 1324, Dame Alice Kyteler foi levado a julgamento pelo bispo de Ossory, por veneração a um deus não-cristão. Dame Kyteler salvou-se em virtude de sua condição social, mas os seus seguidores foram queimados... Joana D'Arc conduziu para a vitória os exércitos da França, mas foi queimada como uma bruxa pelos ingleses... Em 1484, Inocêncio VIII liberou o poder da Inquisição, e com a publicação do Malleus Maleficarum*, dos dominicanos Kramer e Sprenger, em 1486, o terreno encontrava-se preparado para um reinado de terror que seria mantido na Europa até a metade do século XVII. A perseguição era direcionada mais intensamente contra as mulheres: de um número estimado em nove milhões de bruxos que foram mortos, 80% eram mulheres, incluindo crianças e moças, as quais, acreditava-se, haviam herdado o mal de suas mães... O terror era indescritível. Uma vez denunciada por qualquer pessoa, desde um vizinho maldoso até uma criança agitada, a bruxa sob suspeita era repentinamente presa, sem aviso prévio e não lhe era permitido que voltasse para casa. Ela era considerada culpada até que fosse provada a sua inocência. A prática comum era desnudar a vítima e raspar-lhe os pêlos na esperança de encontrar as marcas do diabo, as quais poderiam ser verrugas ou sardas. Com freqüência, a acusada era espetada em todo o seu corpo com agulhas compridas e afiadas, pois se acreditava que os pontos em que o Diabo houvesse tocado fossem indolores. Na Inglaterra, a tortura legal não era permitida, mas os suspeitos eram privados de sono e submetidos a lenta inanidade antes de serem enforcados. No continente, toda atrocidade imaginável era praticada - a roda, os apertadores de polegares, as botas que quebravam os ossos das pernas, surras terríveis - a lista completa dos horrores da Inquisição. Os acusados eram torturados até que assinassem confissões preparadas pelos inquisidores, obtendo assim uma morte mais misericordiosa: o estrangulamento antes da fogueira. Suspeitos recalcitrantes, que sustentavam a sua inocência, eram queimados vivos... As bruxas e fadas que podiam escapavam para terras longe do alcance da Inquisição".
Mas com o avanço no conhecimento das ciências naturais, muitos fatos que antes eram atribuídos exclusivamente à influência das bruxas junto ao demônio, passaram a ser explicados da maneira mais simples e racional possível, e por esse motivo, nos dias de hoje, somente as pessoas de pouca cultura, ou aquelas excessivamente supersticiosas, ainda acham que a bruxaria merece alguma consideração.
(*) - O Malleus Maleficarum, ou Martelo das Bruxas, em português, já foi descrito como “o mais terrível livro da história da humanidade”. Isto porque continha instruções detalhadas de como torturar, das formas mais cruéis, as pessoas acusadas de bruxaria, a fim de fazê-las confessar seus supostos crimes; além das formalidades para a execução, que consistia em queimar vivos os condenados.
Retirado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Malleus Maleficarum





