A a D - BOTO

O boto é um mamífero aquático da família dos cetáceos, à qual pertencem as baleias, os cachalotes, os golfinhos e outros mais. Ele pode ser rosado, cinzento ou preto, é muito inteligente, e o fato de viver em rios de águas turvas provocou uma redução de sua acuidade visual, diminuindo-lhe o tamanho dos olhos mas dando-lhe, em compensação, um órgão que localiza as presas pelo sistema de eco. Os indígenas da região amazônica acreditam que esse peixe toma a forma humana para partilhar a rede das virgens da floresta, ou então aproveitam o momento em que as mulheres se banham, para seduzi-las. Também é voz corrente entre a população ribeirinha que ele faz naufragar as canoas onde moças estejam embarcadas, a fim de se apossar das mesmas, e que seus olhos são amuletos preciosos para abrandar corações de amantes.

 

No Pará é comum a afirmação de que criança sem pai conhecido é filho do boto, porque a lenda diz que ele atrai as moças que moram à beira dos rios com a intenção de possuí-las, e por isso se torna pai de todos os filhos cuja paternidade é ignorada. Os naturais da região acreditam que nas primeiras horas da noite o boto se transforma em um rapaz bonito, excelente dançarino que se aproxima das moças durante os bailes, conversa e namora uma delas, sempre bebendo muito, e após conquistá-la marca um encontro amoroso para aquela madrugada, porque ao romper do dia ele volta a ser boto e por isso tem que voltar para a água. Testemunhas que afirmam já o terem visto garantem que ele não tira o chapéu da cabeça porque o mesmo oculta o orifício de respiração que tem no alto do crânio, e que durante as noites de luar, quando os lagos se iluminam, podem ser ouvidas as cantigas de festas e danças das quais o boto participa.

 

A lenda do boto não existia no Brasil até o século 18, daí a suposição de ela seja de origem branca e mestiça, e tenha sido introduzida na cultura indígena. Algumas partes do animal são consideradas como amuleto de grandes virtudes: seu olho, por exemplo, depois de seco é de incrível eficácia amorosa, não havendo mulher que resista quando olhada através de um olho de boto preparado, isto é, submetido aos processos da poderosa feitiçaria amazônica. Muitos caçadores os capturam para cortar-lhes o pênis, que servirá como amuleto para melhorar-lhes a performance de macho ou combater a impotência sexual, e por isso a espécie está agora ameaçada de extinção.

 

Os botos são golfinhos de água doce, mas apesar de parecidos, golfinhos e botos não são iguais: os golfinhos são acinzentados, enquanto os botos podem ser pretos, acinzentados ou meio avermelhados, como o boto cor-de-rosa. Outra diferença é que o bico do boto é mais comprido e possui pêlos na parte de cima. Uma curiosidade sobre os botos é que eles têm olhos bem pequenos e não enxergam muito bem, e por isso, para se comunicar e se guiar, eles emitem uns gritinhos finos e prestam atenção ao eco dos sons na água. Além disso, os pêlos do bico, chamados vibrissas, também ajudam, pois têm função de tato e de direção, ou seja, servem para o boto saber para onde está indo e sentir o que vem pela frente. E também o ajudam a achar os peixes, moluscos (como lulas e polvos) e crustáceos (como camarões e caranguejos), com que se alimenta. Um boto pode chegar a 2,5 metros de comprimento e pesar até 160 quilos. Mas ao contrário dos golfinhos, que vivem em bandos, os botos são animais solitários. Talvez por isso as pessoas acreditem que eles se transformam em rapazes sedutores e namoradores.

 

O boto cor-de-rosa, de nome científico Inia geoffrensis, aparece nos rios da América do Sul, principalmente na Amazônia brasileira e na bacia do rio Orenoco na Venezuela.

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