I a M - LENDA DO PAU DE BINGA - Araxá - Minas Gerais

Considerado como a maior árvore nativa do Brasil o jequitibá pode atingir 50 metros de altura, com seu tronco chegando a ter sete metros de diâmetro. Seus frutos apresentam formato de urna, têm comprimento que chega aos nove centímetros, e quando se abrem de forma espontânea liberam pequenas sementes que são espalhadas pelo vento.

 

Ele é originalmente encontrado no centro e sudeste do país (estados de Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul), e também em Alagoas, Bahia, Paraíba e Pernambuco. O maior e mais antigo espécime vivo do jequitibá-rosa tem mais de 3.000 anos de idade, 40 metros de altura, diâmetro de 3 metros, e se encontra no Parque Estadual do Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo, sendo considerado um dos seres vivos mais antigos do planeta, e a mais velha árvore do Brasil. O Parque Estadual de Vassununga preserva grande número de jequitibás. Outro espécime importante fica no Parque Estadual dos Três Picos, RJ, e tem cerca de 1.000 anos.

 

Em Vamos Conhecer Araxá, livro escrito por Leonilda Scarpellini Montandon e editado em 1987, encontra-se a informação de que “Distante uns cinco quilômetros da cidade, à esquerda de quem vai para o Barreiro, encontrava-se o “Pau de Binga”, frondoso jequitibá muitas vezes centenário. À sua sombra os índios araxás celebravam suas vitórias ao som de cantos guerreiros e ao ritmo bárbaro de suas danças. Os antigos o chamavam de “Pau do Choro” e “Pau da Alegria” porque a árvore era o marco das despedidas dos que partiam e das boas-vindas dos que chegavam”.

 

No livro Araxá – da Maloca ao Palácio, editado em 1950, contendo uma digressão sobre a Estância do Araxá feita por Waldir Costa aos congressistas do Terceiro Congresso Médico do Triangulo Mineiro, realizado naquele ano, o autor esclarece que em determinada época, segundo os cronistas de então, indígenas da tribo dos araxás reuniam-se sob a cúpula do Pau de Binga e ali celebravam seus ritos medonhos, horrendos e terríveis. O referido texto diz, ainda, que “Os macumbeiros associavam-se sob o nome de mondrongo numa irmandade de feitiçaria, nos moldes da celebérrima Epicuréia, fundada em São Paulo por Bernardo Guimarães, o romancista, e seus contemporâneos de escola”. Mas ressalva que essa comparação é inapropriada porque não cabe estabelecer semelhanças entre as bruxarias de mera pândega acadêmica com o satanismo.

 

Epicurismo, no masculino, sinônimo de busca exclusivamente material de volúpia e prazeres terrenos, deriva de Epícuro (341–270 a.C.), filósofo grego cuja obra defendia o conceito de que os bens materiais e espirituais do mundo deveriam ser gozados com ponderação, para que a excelência dos mesmos pudesse ser percebida naquilo que há de melhor em sua natureza. Mas como a doutrina de Epícuro foi desvirtuada por seus opositores, principalmente os religiosos, o Epicurismo (Epicuréia, no feminino) tornou-se sinônimo de busca exclusivamente material, de volúpia e prazeres terrenos. Esta conotação foi usada para designar a Sociedade Epicuréia.

 

O texto sobre a lenda do Pau de Binga, escrito por Leonilda Montandon e incluído no livro Vamos Conhecer Araxá, relata aos leitores que, segundo as narrativas vindas dos tempos antigos, era sob o pé de jequitibá que “realizavam-se as reuniões dos Mondrongos, feiticeiros da pior espécie. As suas sessões de macumba eram muito concorridas e presididas pelo próprio demônio em pessoa. A principal festa era celebrada à meia-noite das Sextas-feiras Santas, com a participação de almas penadas, fantasmas e mulas-sem-cabeça. Gritos e gemidos horrendos, intercalados de lúgubres cantos, eram ouvidos à distância, fazendo tremer de pavor os moradores dos ranchos mais próximos. A cachaça, fervida de mistura com ossos de defuntos, penas de galinhas, pedaços de imagem, raízes de outras coisa imundas, era distribuída aos macumbeiros, que assim ficavam com o 'corpo fechado' a qualquer malefício. Até de madrugada aquelas vozes rouquenhas e sinistras eram ouvidas nas suas invocações ao deus de seu culto: Satanás”.

 

Binga era o nome dado a uma espécie de isqueiro rudimentar feito com gomo de bambu ou algum outro tipo de recipiente assemelhado, cujo pavio contendo líquido inflamável se acendia com as faíscas liberadas por duas pequenas pedras usadas pelo usuário. Produzidas industrialmente no Brasil a partir de 1880, tinham o formato de tubo de metal e vinham com algodão embebido em combustível (querosene), que era armazenado em seu interior, de onde saía o pavio. No início dos anos 1930, ao observar um amigo acendendo um cigarro com um isqueiro austríaco da fabricante Binga, George Grant Blaisdell notou que apesar da dificuldade de manuseio, o objeto funcionava bem, mesmo sob a ação do vento.  

 

Os isqueiros da Binga tinham tampa e era necessário utilizar as duas mãos para acender a chama. A estrutura, de metal, mas delgada, ainda amassava com facilidade. A partir do modelo austríaco Blaisdell passou a fabricar, no outono de 1932, um isqueiro em formato retangular com a tampa presa com uma dobradiça, mantendo o design de chaminé do modelo da Binga, perfeito para proteger a chama. Os primeiros Zippo saíram da linha de produção em 1933 e custavam US$ 1,95 a unidade.

 

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