I a M - IMAGEM DE Nª. SRA. DE NAZARÉ - Cachoeira do Campo - MG

Localizada às margens da Rodovia dos Inconfidentes, em Minas Gerais, Cachoeira do Campo, maior distrito de Ouro Preto, está situada a 18 quilômetros da sede municipal e 72 quilômetros de Belo Horizonte, capital estadual. Entre as várias narrativas que enriquecem e valorizam sua memória histórica e seu patrimônio cultural, inclui-se a chamada Lenda da Imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Diz a tradição que no século 18, durante o período de construção da igreja Matriz da localidade, a comitiva que saíra do litoral com destino a um distrito de Caeté, também em Minas Gerais, trazendo uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, parou em Cachoeira, para descansar, no espaço aberto onde hoje existe a praça Filipe dos Santos, e diante de uma igreja com a mesma invocação da imagem que transportava. E ali os viajantes permaneceram o tempo suficiente para que eles e os seus animais se recuperassem da caminhada feita, pois um longo caminho ainda precisaria ser percorrido até o ponto de chegada.

 

Porém, na hora da partida, a junta de bois que conduzia a imagem de Nossa Senhora recusou-se a seguir em frente, apesar dos esforços feitos pelos seus condutores. E como definitivamente os animais não arredavam pé do lugar, ao final de algum tempo os membros da comitiva, à falta de uma explicação natural para o que ocorria, acreditaram estar diante de um milagre, e por isso a grande peça religiosa que levavam foi desembarcada e passou a ocupar o lugar da menor e mais antiga que lá existia. Originou-se dessa passagem lendária a crença de que não foi Cachoeira do Campo que escolheu a santa como padroeira, mas sim ela própria.

 

A Matriz de Nossa Senhora de Nazaré (ilustração acima) é considerada jóia do barroco mineiro e um dos principais monumentos artístico-arquitetônicos do Brasil. Sua construção teve início por volta de 1700, em substituição a uma ermida que existia no local, e prosseguiu ao longo dos anos, um trabalho árduo e persistente que segundo as informações disponibilizadas pelos historiadores locais (www.cachoeiradocampo.art.br), pode ser apresentado da seguinte forma:

 

Supõe-se que o altar-mor e os dois do Cruzeiro tenham sido terminados nessa primeira fase da construção, ocorrendo em 1725 a primeira referência direta às obras da Matriz, época em que ela provavelmente estava praticamente concluída. Segundo esclarece a publicação feita no site mencionado,  “Em 1726 foi encomendado o altar de N. Sra. do Rosário a Manuel de Mattos, tendo por base o altar de São Miguel e Almas que lhe é fronteiro. Todos os outros altares são mais antigos que estes. Alguns anos antes de 1726, já se devia estar reconstruindo com pedra a estrutura física da igreja, assim como aumentando a nave, podendo-se deduzir isto pelo fato de neste ano constar-se a construção do coro, púlpitos e pintura de forro da nave. A pia batismal foi feita em 1727. Entre 1733 e 1735 foi feito o douramento da maior parte da igreja por Manuel de Souza e Silva de Vasconcelos. Em 1737 há referência às duas torres, não se sabendo se foram construídas ou reconstruídas. Também neste ano houve obras no guarda-pó e conserto no retábulo”.

 

E o relato prossegue:

 

“Em 1752 foi feito o douramento e parte da talha do arco do Cruzeiro, arcadas do coro e tarja. Em 1755 foi feita a pintura do teto da capela-mor por Antônio Rodrigues Bello. Entre os anos de 1744 e 1760 o artista europeu Rodrigo Brum confeccionou as valiosas pratarias da Matriz, que são consideradas por muitos a sua obra-prima. Em 1792 houve a reconstrução definitiva das torres e em 1860 foi construído o novo frontispício”.

 

“A descrição da Matriz de N. Sra. de Nazaré tem sido tarefa difícil até mesmo para famosos pesquisadores, que a consideram uma das obras primas do Barroco... A decoração do altar-mor, assim como dos demais, pertence ao estilo nacional português, que é justamente a primeira fase do barroco mineiro, do qual a matriz constitui o principal exemplo... O altar-mor é realmente monumental... no trono fica a imagem de N. Sra. de Nazaré, linda obra de madeira... veio de Braga no começo do século XVIII para substituir a outra imagem de 40cm, que, segundo a lenda, pertenceu ao primeiro morador de Cachoeira, Manuel de Mello. A decoração das paredes da capela-mor segue o mesmo estilo, havendo variadas esculturas em alto relevo, oito grandes colunas em espiral e oito quadros figurando cenas da vida de Cristo, os evangelistas e outros de caráter simbólico. O teto da capela-mor, pintado por Antônio Rodrigues, inaugurou em Minas o estilo de pintura em perspectiva, abrindo caminho para a pintura rococó”.

 

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