Invenções - RENDA
A renda é um tecido com padrão de orifícios e desenhos feitos, atualmente, à mão ou à máquina. Embora tenham existido, na antiguidade, diversos tecidos com esse mesmo padrão, acredita-se que a renda, propriamente dita, surgiu em fins da Idade Média. Os egípcios usavam certa malha de fios, bordada a contas de vidro, da mesma forma como algumas togas romanas também eram feitas desse mesmo tecido. O templo de Salomão, rei de Israel que segundo algumas cronologias reinou de 1009 a 922 antes de Cristo, era adornado igualmente. Segundo o Livro dos Reis (narrativa sobre a história dos reis de Israel, no Antigo Testamento), isso era feito com um tecido transparente, provavelmente uma espécie de tule. Em Portici, cidadezinha italiana da região da Campânia, província de Nápoles, foi encontrada uma estátua antiga de Diana, com uma guarnição semelhante a renda.
Segundo alguns autores, as rendas eram conhecidas na França em fins do século 14, afirmativa que fazem baseados em documento de 1390, do qual consta o registro de que, naquela época, lavores em tecido eram mencionados num tratado comercial feito entre a cidade belga de Bruges, fundada no século 9, e a Inglaterra. Acredita-se, inclusive, que pelo fato de os tecidos transparentes importados do Oriente desde épocas remotas, serem apreciados na Europa medieval, tenha surgido daí a prática de se fazer bordados sobre os mesmos, bem como a de retirar-lhe alguns fios, formando-se assim desenhos caprichosos. Diversos museus europeus mantêm em exposição trabalhos desse gênero datados do século 13.
Não resta dúvida quanto à aceitação das rendas na Europa a partir do período final da Idade Média, época em que surgiram centros de sua fabricação principalmente na França, Flandres (atualmente, toda a região norte da Bélgica), Itália e Inglaterra. Nos reinados de Luis 13 (que assumiu o trono francês em 1617) e de seu filho Luis 14 (que o sucedeu em 1643), o uso das rendas chegou ao exagero, provocando com isso a promulgação de vários éditos regulamentando seu uso. Mas apesar dessa limitação, foi durante o governo deste último monarca que a industria francesa atingiu o apogeu, graças em grande parte à proteção que lhe foi dispensada pelo mesmo, sob instigação de Charles Colbert, marquês de Croissy e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros.
Na Alemanha, a produção de rendas parece ter-se desenvolvido a partir de fins do século 16, impulsionada por refugiados vindos dos Países Baixos (atual Holanda), em virtude das guerras religiosas. Na Rússia, foi introduzida provavelmente sob a proteção da corte, após a viagem de Pedro, o Grande (1672-1725), ao Ocidente, enquanto na Índia, Ceilão e Japão, foram os ingleses os responsáveis pela introdução. Na mesma época, adquiriram grande renome as rendas de fio branco, negro ou encarnado, feitas em Malta, enquanto as produzidas na Irlanda tornaram-se famosas a partir de 1859. Na Bélgica, durante muito tempo as condições sociais e econômicas prestaram-se especialmente para a manufatura manual de renda. Na Espanha, sua produção adquiriu considerável expansão nas comunidades judaicas, mas após a expulsão dos judeus, concentrou-se principalmente nos conventos, para se tornar mais tarde ramo importante do artesanato, praticado por uma parte considerável da população. Em Portugal, a indústria de renda parece ter surgido em fins do século 16, ao passo que na América do Sul, tornou-se característica de algumas populações que ainda vivem do artesanato, sendo famosas, por exemplo, as rendas produzidas por nativos do Paraguai, as do Nordeste brasileiro, e outras mais.
Nos séculos 18 e 19 a produção de rendas de bilros tornou-se uma atividade importante nas cidades de Chantilly e Valencienses, França, enquanto os rendeiros de Alençon e Argentan, na França, e de Veneza, na Itália, dedicavam-se à renda de agulha. No início, o uso das rendas restringia-se aos mantos do clero e da realeza, geralmente sob a forma de passamanes (fitas, cordões ou fazendas entretecidas de fios de prata, de ouro ou de seda pura) dourados ou prateados. Nos séculos 17, 18 e 19, a renda passou a ser usada em adornos de cabeça, babados, aventais e enfeites de vestidos.
Os tipos mais conhecidos de rendas são a de bilros e a de agulha. A renda de bilros é criada pela manipulação de numerosos fios, cada um deles presos a um bilro (peça de madeira ou de metal, semelhante a pequeno fuso, ou pêra), sendo em geral trabalhada sobre uma almofada (ilustração acima). Antes do século 19 ela costumava ser produzida em fios de linho, mas agora o algodão tornou-se mais comum.
A máquina para produção de rendas surgiu em 1768, na Inglaterra, sendo, a partir daí, constantemente aperfeiçoada. Porém, isso não impediu que durante muito tempo, o trabalho manual na confecção do produto continuasse tendo grande importância, devido principalmente ao acabamento mais apurado. Atualmente tornou-se difícil distinguir um tipo do outro, e por isso a produção manual está relegada a regiões de pequeno desenvolvimento industrial, onde é vantajoso para as mulheres dedicarem-se a semelhante tarefa.
A partir do final do século 19, início do século 20, a renda foi perdendo a sua popularidade, passou a ser usada muito raramente, ficando associada apenas à produção de lingerie. Mas apesar disso a moda feminina nunca a deixou de lado completamente, uma vez que ela sempre aparece nos vestidos de noivas, nos das debutantes, e principalmente na chamada alta costura francesa, que não dispensa o uso de uma bela renda.





