A a D - ABAFAR A BANCA
Banqueiro é o dono do banco que recebe em depósito o dinheiro dos outros, cobra por esse serviço, exige juros altos de quem se aventura a tomá-lo emprestado, sem dar um centavo desse rendimento ao depositante. Mas também pode ser o dono da banca de jogo, seja a de um cassino luxuoso, a do chamado jogo-do-bicho, ou de outra casa onde alguém arrisca a sorte em qualquer tipo de jogo de azar, nos quais a possibilidade de ganhar ou perder não depende da habilidade do jogador, mas sim exclusivamente do azar do apostador. Daí que a maioria deles são jogos de apostas cujos prêmios estão determinados pela probabilidade estatística de acerto e a combinação escolhida.
Nos primeiros meses de vida da loteria zoológica, nome dado pelo povo ao sistema de sorteio criado pelo barão de Drummond em 03/07/1892, para estimular as pessoas a visitarem o parque onde ele mantinha diversos animais em cativeiro, sua norma de aplicação era bem simples: na entrada, ao pagar seu ingresso, o cidadão recebia um pequeno cartão com a indicação de um dos bichos mostrados pelo zoológico, e ao final do dia, se esse animal fosse o mesmo sorteado pela direção do jardim, o portador do comprovante respectivo seria premiado com uma importância que poderia chegar a vinte vezes o valor que lhe fora cobrado na portaria, o que dependeria do número de visitantes admitidos no dia.
A novidade logo interessou ao cidadão comum, que vendo nela a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra com o emprego de pequena quantia, passou a fazer diariamente a sua fezinha, mesmo deixando de lado o ingresso e o seu direito de entrar e admirar os bichos. Esse jogo ultrapassou os muros do Jardim Zoológico, espalhou-se pela cidade, e daí em diante aqueles que garantiam o pagamento das apostas começaram a se preocupar com a necessidade de aparentarem riqueza e prosperidade, para aumentar a credibilidade que o povão precisava ter neles. Em razão disso foi que a banca, nome dado ao negócio do banqueiro de jogo, terminou adquirindo a conotação de desconfiança ou fingimento que tem, quando usada na expressão botar banca.
Mas a origem da expressão abafar a banca, com sentido de ganhar todo o dinheiro de que dispunha o banqueiro para arriscar no jogo, vem do próprio verbo abafar, que entre seus vários significados tem os de dominar e vencer. Assim sendo, a ligação do verbo com a palavra banca, que é a atividade ou o negócio do banqueiro, importa em dizer que o apostador venceu o dono do jogo e levou o seu capital. Outra versão considera que a frase tem origem no jogo marimbo, ou abafo, jogado com três cartas, onde o jogador que presume ter o maior número de pontos cobre o dinheiro das apostas com as suas cartas, e grita: Abafo a banca!
Existe, também, uma terceira explicação pouco conhecida para essa locução: conta-se que no princípio do século passado, Bianca Baragatti, uma das primeiras mulheres eleitas para o Parlamento italiano, defendia idéias que batiam de frente com as normas e regras sociais prevalecentes na época. Conhecida como uma das primeiras feministas da república italiana, a deputada Baragatti dizia o que pensava, e por isso os homens procuraram uma forma de calar de vez a sua voz entregando essa tarefa à Máfia, porque era preciso abafar a Bianca. Mas nada disso ficou provado, e o fato permanece até hoje no terreno das conjecturas.
Seja qual for a verdade, o que se observa é que a locução "abafar a banca” foi perdendo aos poucos a sua destinação original e passando a ser aplicada também em várias outras situações comuns no cotidiano, como a de quem se destaca pela beleza fisionômica ou porte físico, ou ainda a do ótimo desempenho de alguém na atividade que exerce. Por isso, de cada uma dessas pessoas se costuma dizer que ela “abafou a banca”.





