A a D - BĘBADO COMO GAMBÁ

Marsupiais são mamíferos que possuem tetas localizadas no interior de uma bolsa situada no baixo-ventre, dispostas em semicírculo e com grandes mamilos aos quais se agarram os filhotes em estado de desenvolvimento, lá permanecendo por mais tempo que no útero.

 

O mais conhecido de todos eles é o canguru, mas a essa mesma ordem também pertence o gambá, um animal de coloração cinza escura, pêlos brancos na base e pretos no extremo, cabeça esbranquiçada, com comprimento entre 45/50cm e cauda com 35cm, de hábitos noturnos e alimentação baseada em frutas, aves, rãs, pequenos animais e larvas. No interior da bolsa ventral, ou marsúpio, são colocados os 18/21 filhotes de cada uma das ninhadas da fêmea do gambá, mas como lá existem normalmente de 11 a 18 tetas, (média de 13, com seis de cada lado e uma no centro), só sobrevivem as crias que alcançam as mamas em primeiro lugar e a elas se prendem.

 

A história americana registra em seus anais que em 1500 o gambá tornou-se o primeiro animal do Novo Mundo a ser conhecido na Europa. Os integrantes da expedição do navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzon (1460-1524), que o capturaram, acharam estranha a sua bolsa ventral e por isso chamaram-no inicialmente de monstruoso porque não conheciam bicho semelhante  (na época os marsupiais já não mais existiam em solo europeu). A partir daí o gambá se tornou popular até mesmo entre os que nunca o viram, graças a uma característica especial: quando irritado ou acuado, ele aponta o traseiro para a cara do inimigo e lança através de suas glândulas anais um jato de líquido fedorento que pode alcançar cinco metros de distância, cujo cheiro é sentido a 1,6 km de distância e fica impregnado na roupa dos desavisados por cerca de um ano. Poucos animais se dispõem a enfrentar a ameaça representada pelo gambá, e os que decidem fazê-lo dificilmente repetem a experiência.

 

Mas apesar disso, há quem afirme que sua carne é deliciosa, o que ocasionou o surgimento de uma técnica especial por parte de quem pretende caçá-lo. No interior do país é voz corrente que o gambá gosta muito de cachaça, e por essa razão os caçadores acreditam que colocando no mato vasilhas com a bebida, para que o animal a encontre e a beba, ele ficará embriagado e com isso perderá sua capacidade de utilizar a defesa química com que costuma afugentar os que o perseguem, podendo ser, em conseqüência, capturado e morto com facilidade. Essa pratica curiosa deu origem à expressão popular bêbado como gambá, usada por quem pretende classificar o estado lastimável em que ficam os seres humanos que vão além da conta no consumo de bebidas alcoólicas, e que por isso mesmo, assim como presumidamente acontece com o pequeno mamífero, quase sempre acabam pagando um preço alto pelo excesso que cometem sem qualquer preocupação com as possíveis conseqüências provocadas por tal procedimento.


Existe, entretanto, uma outra explicação para a suposta embriaguez do gambá. Acontece que esse animal se alimenta comumente com aves e ovos, mas como tem especial predileção por sangue, tornou-se conhecido como sanguinário. Sendo assim, ele abre o pescoço das aves que consegue capturar, logo abaixo da cabeça, rompe a jugular das suas vítimas e se farta à vontade com o sangue que jorra desse ferimento. Depois de saciado, ele entra em estado de torpor profundo, semelhante ao de quem está embriagado, sendo encontrado pela manhã como se estivesse curtindo uma tenebrosa ressaca. Foi desse fato que surgiu a crença de que basta colocar uma canela com pinga no galinheiro para que na manhã seguinte um gambá esteja completamente embriagado. Mas, apesar disso, a verdade é que a preferência do gambá pela mencionada bebida alcoólica nunca foi observada ou comprovada pela ciência.


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