A a D - CANTO DO CISNE, O
Os cisnes são aves classificadas em espécies diferenciadas entre si pelo tamanho e coloração do bico, sendo as mais conhecidas as do cisne branco e do cisne-de-pescoço-preto, esta última distribuída pelo sul do Brasil e Chile, mas podendo também ser encontrada no Uruguai, Paraguai, Argentina e Terra do Fogo, além das Ilhas Falkland, situadas ao sul do oceano Atlântico. De hábitos gregários e vida sedentária, elas têm como habitat as lagunas, os lagos e pântanos próximos ao mar, alimentando-se de plantas aquáticas, sementes, vegetais, pequenos insetos e moluscos. Ave excessivamente arisca, ela foge com grande alarido assim que pressente qualquer perigo, mas precisa correr alguma distância para levantar vôo. Produz com as asas um ruído especial que, mesmo nos vôos em bando se mantêm cadenciado, pois todos os elementos do grupo batem as asas ao mesmo tempo.
O tempo de vida do cisne é de aproximadamente 25 anos, e segundo a crença popular ele emite um lindo canto ao pressentir a proximidade de sua morte, surgindo daí a expressão “canto do cisne” como metáfora para as últimas realizações de uma pessoa. Já de longa data os literatos vêm aproveitando o tema dessa linda ave, e também do seu canto de despedida, na redação de suas histórias e contos, ou na composição de seus versos, como Luiz Vaz de Camões (1524-1580), poeta português, autor de “O cisne, quando sente ser chegada”, poesia cujas estrofes dizem o seguinte:
“O cisne, quando sente ser chegada / a hora que põe termo a sua vida, / música com voz alta e mui sabida / levanta pela praia inabitada. / Deseja ter a vida prolongada / chorando do viver a despedida; / Com grande saudade da partida, / celebra o triste fim desta jornada. / Assim também, sujeito à dura sorte, / espalho o meu queixume no ambiente, / para que me alivie e me conforte. / Sinto a mesma tristeza que a ave sente, / pois amor torna a vida numa morte, / que me tortura e mata lentamente”.
O escritor e poeta dinamarquês, Hans Christian Andersen (1805-1875), publicou em 1843 o conto “O Patinho Feio”, onde narra a história de um patinho feio e desengonçado que é rejeitado pela família por ser diferente. Ele foge e descobre que, na verdade, é um belo cisne. Muito antes dele, o filósofo grego Platão (428-348 a.C), no diálogo “Fédon”, relembra as palavras do seu conterrâneo e também filósofo Sócrates (470 - 399 a.C.) nos momentos que antecederam a morte: “Você não admite, Símias, que tenho o mesmo dom da profecia que os cisnes: sua Pois eles cantaram durante toda a vida, e ao perceberem que devem morrer, de modo algum deixam de cantar, e cantam mais docemente que nunca, exultando com o pensamento de que logo irão ter com Apolo, de quem são representantes. Os homens, entretanto, como temem a morte, falsamente acusam os cisnes de cantarem lamentos em seus dias finais. Quanto a mim, os poderes proféticos de que Deus me dotou, não são menores que os dos cisnes e não estou nem um pouco triste por deixar a vida”.
Os gregos davam a uma constelação boreal muito rica em estrelas o nome de “Ornis” (ave), mas os romanos, que adotaram os mitos gregos, deram a ela o nome de Cisne. A adoção desse nome é explicada da seguinte forma: os cisnes aparecem com freqüência nos mitos gregos, pois os principais deuses costumavam transformar-se em um deles para seduzir ninfas atraentes. Segundo a mitologia grega, Zeus (Júpiter) e seus irmãos Hades (Plutão) e Poseidon (Netuno), destronaram o pai, Cronos (Saturno), repartindo entre si o seu reino: Hades ficou com o mundo dos mortos, Zeus com os céus, e Poseidon com os mares. Cycnus, filho de Poseidon, era o rei de uma cidade ao norte de Tróia e defendeu esta cidade na luta contra os gregos, mas foi enforcado por Aquiles. Poseídon chorou pelo seu filho e transformou-o num cisne. Entretanto, os árabes e outros povos viam esta constelação como uma galinha.
Sobre essa mesma passagem mitológica a poetisa Luciana de Rocio Mallon escreveu “A Lenda da Galáxia de Cisne”:
“Na antiga Grécia distante / surgiu uma lenda brilhante! / Numa guerra entre os deuses poderosos, / fortes, guerreiros e geniosos . / Cycnus , o filho de Poseidon, / o deus dos mares que não sai do tom, / foi colocado, por inimigos, na costa marítima para morrer. / Mas um cisne com desejo e fome de vencer, / ao ver este menino, / vítima de um desatino, / resolveu ajudar a criança, / salvando este bebê cheio de esperança! /
O tempo passou e Cycnus virou o rei de Colonal / uma cidade ao norte da Tróia sensacional ! / Porém, Cycnus não era um bom rei / Pois para sua maldade não havia lei! /
Ele defendeu sua cidade / contra Aquiles com toda a vontade! / Porém, Aquiles matou este rei malvado / enforcando Cycnus de um jeito calado! / Mas, Poseidón / sem sair do tom / transformou o filho num cisne branco, / no firmamento brilhante e franco! / Assim nasceu a galáxia de Cisne, bem bonita / com sua alma cintilante e infinita”.





