E a H - ESTAR DE PAQUETE
A palavra paquete é não só a denominação dada aos antigos navios de luxo de grande velocidade, geralmente movidos a vapor, utilizados no transporte de passageiros, correspondência e mercadorias, mas também compõe a expressão popular "estar de paquete", usada para se referir à mulher em seu período de menstruação.
Com a vinda da família imperial portuguesa para o Brasil (1807), o príncipe regente D. João (representado nesse ato pelo conde de Linhares), e Jorge III, rei da Grã-Bretanha (representado por Lord Strangford), decidiram estabelecer a criação de uma linha regular de navegação marítima entre os dois países. Esse documento que se tornou conhecido como “Convenção sobre o Estabelecimento de Paquetes”, foi assinado no Rio de Janeiro em 19 de fevereiro de 1810, ratificado por Portugal em 26 do mesmo mês, e pela Grã-Bretanha quatro meses depois, no dia 18 de junho. Em seu preâmbulo. Ele dizia o seguinte:
Sendo necessário para o serviço público das Cortes de Portugal e da Grã-Bretanha, e para as relações comerciais dos seus respectivos vassalos, que se estabeleçam Paquetes entre os domínios de Portugal e a Grã-Bretanha; e sendo, além disso, conveniente que se conclua para este fim um arranjamento definitivo sobre os princípios de exata reciprocidade, que as duas Coroas têm resolvido adotar por base das suas mútuas relações; os abaixo assinados, Plenipotenciários de Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal e de Sua Majestade El-Rel do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, tendo trocado os seus respectivos plenos poderes, e achando-os em boa e devida forma, convieram nos artigos seguintes:
E estabelecia em seus artigos iniciais:
Art. I - Sairá de Falmouth para o Rio de Janeiro um Paquete em cada mês. Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal se reserva o direito de para o futuro estabelecer Paquetes entre os outros portos do Brasil e a Grã-Bretanha, se o estado do comércio o requerer.
ART. II - As malas se fecharão em um determinado dia, assim em Londres como no Rio de Janeiro.
Daí em diante, as visitas mensais e regulares feitas pelos paquetes ingleses ao porto do Rio de Janeiro, com o vermelho da bandeira comercial da Grã-Bretanha bem visível no mastro de cada embarcação, fez com que a vulgarização do nome acabasse sendo associado ao incômodo feminino que também surge mensalmente em dias determinados, porque, afinal de contas, como as mulheres ficavam esperando os paquetes mensais que chegavam nas épocas aprazadas com suas bandeiras vermelhas tremulando ao vento, para então conhecer as novidades européias, é perfeitamente compreensível que algum brincalhão tenha associado as duas situações, o que acabou dando à expressão “estar de paquete” o significado que todos conhecem.





