I a M - LOBO EM PELE DE CORDEIRO
Fábulas são narrativas de acontecimentos fingidos, inventados para instruir ou divertir as pessoas. Sendo assim, elas relatam histórias fictícias que visam dar representação concreta a uma idéia abstrata, ou, sobretudo, a um conceito moral. São diferentes das parábolas, pois enquanto estas não ultrapassam os limites do provável, do que é possível acontecer, as fábulas procuram sempre dar característica real ao fantástico, geralmente transferindo para os animais as qualidades e sentimentos pertencentes ao homem. Os fabulistas mais antigos deixaram obras muito interessantes, e dentre eles podem ser destacados Esopo, Fedro e La Fontaine, este último autor de 240 apólogos nos quais humanizava os animais, caracterizando-os com os costumes da sociedade francesa do século 17.
Na Grécia antiga, Esopo, um moralista e fabulista do século 6 a.C., encantou os seus contemporâneos com narrativas inteligentes, da mesma forma como se tornou famosa a fábula de Horácio sobre o rato do campo e o rato da cidade. E entre tantas outras histórias que corriam de boca em boca, também estava a do leão e do lobo que decidiram se associar na caçada que precisavam fazer, esperando com isso conseguir comida com mais facilidade. Depois de tudo acertado eles se puseram em campo, e quando abateram a primeira presa o leão a dividiu em três partes. Surpreso, o lobo manifestou sua discordância e ouviu do sócio a seguinte explicação: uma das partes é minha porque sou o rei dos animais; a outra também é minha por direito de sociedade; e se fico com a terceira. é porque senão você vai se haver comigo.
Uma segunda fábula com fundo moral semelhante fala do lobo que se disfarçou com uma pele coberta de lã e assim conseguiu entrar no rebanho de ovelhas, fazendo-se passar por uma delas tanto na aparência como no procedimento fingido, mas aproveitando essa condição para devorar as inocentes e desprevenidas vítimas. O conceito dessa história também está contido na passagem bíblica que recomenda: “Tenha cuidado com os falsos profetas que vêm a você em pele de cordeiro, mas que no fundo são lobos vorazes”.
Existe ainda uma terceira dessas narrativas fantásticas associadas à idéia de que a ética, a honestidade e a correção de costumes devem prevalecer sempre sobre a má fé e os maus intuitos. Ela nos conta que certo dia um lobo esfomeado teve a idéia de disfarçar a sua aparência tão conhecida quanto temida, acreditando que dessa forma poderia conseguir com muito mais facilidade, a comida de que precisava. Então ele decidiu cobrir-se com uma pele de cordeiro e juntar-se a um rebanho de ovelhas que pastava ali por perto, imaginando que dessa forma poderia despistar totalmente o pastor responsável pela vigilância dos animais. E conseguiu fazê-lo, realmente, tanto que no fim da tarde ele foi levado para um celeiro, juntamente com o resto do rebanho. Pouco depois, quando o escuro da noite já cobria aquela região, o pastor foi providenciar um pouco de carne para a alimentação do no dia seguinte, e chegando ao celeiro pegou a primeira ovelha que encontrou pela frente. Era o lobo que fingia ser um cordeiro. O ensinamento transmitido por essa pequena história é o de que sempre que enganamos os outros, pagamos logo em seguida pelo nosso erro.
Essa é a origem da expressão “lobo em pele de cordeiro”, usada com a finalidade de identificar aqueles que se fazem passar por gente correta para alcançar os seus objetivos desonestos e até mesmo criminosos. Por isso o lembrete de que contra esse tipo de gente, nunca é demais estar sempre bem prevenido.





