N a Q - PEIXE FORA D\'ÁGUA

O peixe é um animal vertebrado que vive na água, respirando por guelras. Este seu sistema respiratório diferencia-se grandemente da respiração pulmonar porque enquanto nos animais com pulmão o ar absorvido por eles segue até esses órgãos, encontrando-se com o sangue e ali ocasionando a necessária troca do oxigênio pelo gás carbônico que vai ser expelido, nos animais com guelras, ao contrário, o sangue é que vai até elas, onde se encontra com o oxigênio para a mesma troca.

 

Essas guelras são formadas por lâminas membranosas dispostas em séries paralelas - como os dentes de um pente - e localizadas perto da cabeça do animal, em comunicação com a parte dianteira do seu aparelho digestivo. Quando a água é engolida pelo animal, ela entra em sua boca, passa pelas guelras, oxigena o sangue devido ao ar que nela está dissolvido, sendo em seguida expelida pelos opérculos, conjunto de peças ósseas que protege as brânquias ou guelras dos peixes.

 

O sangue dos peixes aflui de todo o corpo para o coração, de onde passa às guelras, é transformado em sangue arterial e redistribuído imediatamente por toda a  sua  estrutura corporal, sem passar pelo coração. O número e a disposição das guelras varia grandemente nas diferentes espécies, mas apesar de serem uma característica dos peixes, elas existem também nas formas jovens dos batráquios que vivem na água. No entanto, algumas dessas espécies conservam, na idade adulta, guelras e pulmões, o que implica em dizer que isso lhes possibilita a vida quer dentro, quer fora d’água, sendo, por conseguinte, chamados anfíbios.

 

Mas como os peixes não têm essa capacidade, porque a natureza os dotou de um sistema respiratório que retira o oxigênio da água, quando eles estão fora dela, ou em reservatórios com pouco ar disponível, sua morte acontece com relativa rapidez. Por isso, quando são  mantidos em locais como tanques, lagos e aquários, a preocupação com a renovação do ar deve ser constante, para evitar que morram por falta de oxigênio. Tal situação proporcionou o surgimento da expressão “peixe fora d'água”, aplicável aos indivíduos que por não estarem em seu ambiente natural, são candidatos certos ao fracasso naquilo que tentam fazer.

 

Apesar disso, porém, existe um peixe que consegue viver algum tempo fora do seu elemento natural: ele é o “saltador-do-lodo”, que habita as águas lodosas de lagunas e mangues das áreas tropicais da Ásia e África. Essa pequena espécie aquática (tem 15 centímetros de comprimento e vinte gramas de peso, em média) possui um pulmão rudimentar e uma densa rede de vasos sanguíneos em sua garganta, além de contar com pequena reserva de oxigênio nos sacos de suas brânquias, ou guelras (órgãos esses essencialmente vasculares e adaptados à respiração dentro d’água, encontrados nos peixes, em geral, em diversos moluscos, em alguns vermes, nos batráquios não adultos, nos artrópodes aquáticos e nos crustáceos), o que lhe permite sobreviver em terra firme durante os períodos de maré baixa. Os olhos grandes e esbugalhados do saltador-de-lodo, colocados estrategicamente no alto da cabeça, lhe dão boa visão do que ocorre ao seu redor, enquanto sua movimentação corporal é facilitada pela cauda que o faz pular de raiz em raiz, ao mesmo tempo em que as barbatanas peitorais, largas e grandes, e mais os falsos pés cobertos de escamas, lhe dão condição de movimentar-se de um lado para outro, em busca de alimentação. Em razão disso a sua dieta, como a dos anfíbios, é constituída por caranguejos e vermes do lodo, que consegue pescar na água, e por moscas e mosquitos, que caça fora dela. Quase nada se sabe a respeito dos métodos de reprodução desse estranho saltador-de-lodo, um peixe tão esquisito que mais se assemelha à caricatura de um girino.

 

 

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