N a Q - PAGAR O MICO
A expressão pagar o mico significa passar por um momento desagradável, por um vexame, e engloba um sem número de situações em que a pessoa, após protagonizar uma cena vista pelos outros como ridícula, grotesca, cômica ou cafona, muitas vezes sente-se envergonhada e tem vontade de cavar um buraco no chão, para engiar-se nele.
Ninguém está livre desse tipo de constrangimento, que pode ser causado tanto por palavras ditas impensadamente, como por afirmações apressadas, perguntas descabidas, gestos irrefletidos, atitudes despropositadas, tropeções, escorregões e outros imprevistos sempre presentes no dia-a-dia de qualquer homem, mulher ou criança. Imprevistos que, por sinal, podem acontecer em qualquer lugar: na rua, na escola, no ambiente de trabalho, na praia, no bar, na festa em casa de fulano ou beltrano, e sempre diante de pessoas que não perdoam as vacilações e mancadas dos que estão perto delas, porque as suas também não costumam passar em branco.
Existem micos de todos os tipos, capazes por isso mesmo de satisfazer os gostos e preferências de cada um. Os jornais nos informam regularmente sobre esse tipo de acontecimento, como o divulgado pela BBCBrasil.com em 27/12/2006, que dizia “Um avião da American Airlines fez um pouso de emergência em Nashville depois que passageiros alertaram a tripulação sobre um cheiro de enxofre e palitos de fósforo queimados na aeronave. Os fósforos foram encontrados no assento de uma mulher que tinha tentado disfarçar o odor de flatulência acendendo os fósforos, informaram as autoridades do aeroporto. Todos os 99 passageiros e a tripulação tiveram de desembarcar enquanto o avião era revistado. A mulher foi interrogada pelo FBI, a polícia federal americana, e depois foi liberada sem ser indiciada, para embarcar em um outro vôo da companhia. ‘Foi estabelecido que ela estava tentando esconder odores corporais’, disse Lynne Lowrance, porta-voz da Nashville Airport Authority. ‘Não houve intenção maliciosa - disse a porta-voz -. mas ela acendeu fósforos, o que é contra as normas’, acrescentou. A mulher, cujo nome não foi divulgado, sofre de uma condição médica não especificada, disse a agência de notícias Associated Press. A passageira portava em sua bagagem de mão fósforos de segurança, o que não viola as regras da Transport Security Administration, entidade que controla a segurança em aeroportos americanos. Os fósforos, entretanto, não podem ser acesos no avião”.
Outra notícia incluída no Globoesporte.com de 19/03/2009, revela que “Mesmo com a vitória sobre o Marcílio Dias, o assunto do dia no Figueirense (de Santa Catarina) foi o vestido rosa que o meia Jairo usou no último treino antes da partida desta quinta-feira. Eleito o pior jogador do rachão anterior, Jairo teve que entrar em campo com a peça cor-de-rosa por cima do colete. O técnico Roberto Fernandes fez questão de garantir que não é o responsável pela ‘nova moda’ no treinamento do Figueira. ‘- É uma brincadeira dos atletas. Fazemos a eleição do melhor e do pior no rachão. O melhor ganha um prêmio e o pior tem que pagar uma prenda. Geralmente é um meião de cor diferenciada, uma chuteira de cada cor. Não lembro qual foi o jogador que trouxe o vestido para que se pagasse a prenda’, explicou o treinador em entrevista à Rádio CBN Diário. Bem-humorado, Roberto Fernandes viu um lado positivo no ‘desfile’ de Jairo trajando o vestidinho. Para o treinador, o jogador vai tratar de se esforçar mais, principalmente nos treinamentos. ‘- De certa forma, eu gostei da produção do Jairo. Foi melhor do que no último jogo. E acho que ele vai correr mais, principalmente no rachão para não pagar mais mico’, disse o técnico, controlando os risos”.
Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, o ato de pagar o mico merece a atenção de muita gente. Tanto que ensejou a publicação de um livro - A Arte de Pagar Micos e King Kongs - Viver sem Culpas – escrito por Regina Araújo e editado pela Qualitymark EdItora, cuja sinopse diz que “Nesta irreverente obra, a autora mostra que pagar micos pode ser extremamente divertido e proveitoso tanto na vida profissional quanto nos relacionamentos pessoais. Este livro é resultado de vários anos coletando casos protagonizados ou testemunhados pela autora, que procura mostrar que pagar micos é aceitar na marra que o acaso faz parte das nossas vidas, mas também é uma oportunidade de aproveitar situações imprevistas para ressaltar a individualidade”.
A expressão surgiu de um jogo infantil - o “jogo do mico” - de origem é incerta. e sobre o qual nunca se procurou saber desde quando é conhecido. Para praticá-lo não há um número fixo de participantes, mas o ideal é de no mínimo 04, e no máximo 08 jogadores. Caso eles sejam mais de 10, recomenda-se a utilização de dois baralhos. Estes são os comuns, de 52 cartas, dos quais devem ser excluídos os coringas. Não existem valores específicos para as cartas, e tampouco existem cartas especiais. O objetivo principal de cada participante é o de se livrar das cartas que estiverem em sua mão e fazer o maior número de pares possíveis.
As regras do jogo são simples. Inicialmente escolhe-se o carteador pelo sistema de quem tirar a carta maior. Este embaralha as cartas e pede ao jogador sentado à sua direita que efetue o corte e retire uma carta do baralho, colocando-a no centro da mesa com o verso virado para cima (ninguém, até o final da partida, poderá ver qual é ela). A distribuição das cartas deverá ser feita a partir do jogador à esquerda do carteador, uma a uma, até que todas sejam distribuídas. Depois disso cada jogador deverá formar todos os pares possíveis com as cartas em seu poder, e para isto não é necessário combinar os naipes, mas sim os valores, de forma que um 09 fará par com qualquer outro 09 que estiver na sua mão.. Os pares formados serão colocados na mesa com o verso das cartas viradas para cima e na frente do jogador que os formou.
Depois que todos os jogadores tiverem feito todos os pares possíveis, inicia-se a fase de compra de cartas, iniciada pelo primeiro jogador a esquerda do carteador. Este comprara uma carta do jogador colocado à sua esquerda, e se fizer par deverá colocá-lo sobre o monte à sua frente. O jogo prossegue dessa forma, com cada jogador comprando carta do jogador à sua esquerda. Quando todos tiverem terminado as suas cartas, restará apenas uma carta sem par, e quem estiver com ela na mão será o MICO. Vence a rodada quem fizer o maior número de pares. O jogador que ficar com o MICO não conta seus pares. Os pares devem ser somados a cada rodada. O jogo termina quando um jogador atingir um determinado número de pares que deverá ser estipulado no inicio da partida.
Caso ocorra de um jogador ficar com duas cartas na mão ou dois jogadores ficarem cada um com uma carta, todos os pares deverão ser verificados, e o jogador que tiver cometido o erro será punido com a proibição de contar seus pares.





