N a Q - PÉ NA BUNDA
Na voz do povo a expressão “pé na bunda”, com sentido de que alguém foi afastado, posto para fora, é usada em inúmeras situações a que homens e mulheres estão sujeitos no seu dia-a-dia. De onde ela surgiu, ninguém tem notícia.
O que se sabe é que na área das atividades empresariais de todo tipo, por exemplo, isso acontece quando o assalariado é demitido do emprego por motivo geralmente justo; já no que diz respeito às relações amorosas, seja em tempo de namoro, de morar junto ou casamento, ocorre o mesmo quando um dos dois diz que chega, que não quer mais, que é hora de cada um seguir o seu caminho; ou, ainda, nos altos e baixos do terreno dos negócios, quando uma das partes perde a atenção da outra nos entendimentos que vinham mantendo sobre a aquisição ou venda de alguma coisa.
Além dessas três circunstâncias, muitas outras tão delicadas quanto elas, ou nem tanto assim, permitem a aplicação da frase-feita porque esta se adapta a toda ocorrência em que alguém é dispensado, colocado de lado, expulso, recusado, barrado ou impedido de entrar ou permanecer em algum lugar, ou ao lado de alguma pessoa.
Por isso a expressão popular – pé na bunda - tem tão largo emprego, já que pode ser aplicada com muita propriedade a situações que acontecem freqüentemente em todo lugar e sem aviso prévio, desde os atos de indisciplina praticados por alunos, sócios de agremiações ou qualquer transgressor de regras comportamentais, até a partida de futebol em que um ou mais jogadores são expulsos de campo pelo juiz, não se podendo deixar de lado, também, os ambientes sociais, dos sofisticados aos de ponta-de-rua, quando algum inconveniente é discretamente convidado a retirar-se do local por esse ou aquele motivo.
De todos os pontapés no traseiro que alguém pode levar na vida, os que doem mais, ou que provocam maiores reações negativas, são os ligados à demissão do emprego e ao rompimento amoroso. O primeiro porque diretamente relacionado a tudo que o indivíduo necessita para garantir sua sobrevivência e a de sua família, caso tenha mulher e filhos. Como morar, comer, vestir, custear estudos e bancar as outras despesas naturalmente incorporadas ao cotidiano das pessoas, se não existe renda para isso? Os chamados orientadores do comportamento humano recomendam diversos procedimentos que, segundo eles, podem atenuar os efeitos estressantes dessa situação. Alegando, e com razão, que ficar deprimido, remoendo a perda do emprego, não leva a nada, eles sugerem que trabalhar o emocional é uma das etapas fundamentais pós-demissão, porque o baque provocado por esse tipo de pé na bunda pode levar o indivíduo “chutado” a uma tristeza profunda, e até mesmo à depressão. E dessa forma ele não terá a energia necessária para sacudir a poeira e iniciar a busca de um novo emprego. Dito assim, até que parece fácil, mas só quem está desempregado, sem uma “prata” no bolso, e com um punhado de problemas financeiros para resolver, é que tem idéia do tamanho do buraco em que está metido.
O desgosto pela rejeição é um sentimento que todos sentem em maior ou menor intensidade, dependendo do como e por que a negação social ou profissional foi provocada. Já com relação ao rompimento amoroso, a situação é diferente, pois muitas vezes ela machuca os sentimentos de quem passou a fazer parte da “pagina virada” do outro, ou outra, que buscou uma nova relação. No entendimento de psicólogos, o fim de um relacionamento amoroso pode ser muito traumatizante, independentemente do grau de sentimento que exista entre os envolvidos, podendo causar muita angústia e desassossego às pessoas envolvidas no problema. Apesar disso, o número de separações vem crescendo de ano para ano, o que demonstra estar o pé na bunda se transformando em solução quase imediata para qualquer desencontro de opinião.
Tratando desse tema, o site www.holofote.net, esclarece que “A taxa de divórcio em 2007, quando se completou 30 anos da instituição do divórcio no Brasil, atingiu o pico da série iniciada pelo IBGE em 1984 e chegou a 1,49 por mil (1,49 divórcios por cada mil habitantes), crescimento de 200% em relação a 1984, quando era de 0,46 por mil. Em números absolutos os divórcios concedidos passaram de 30.847, em 1984, para 179.342 em 2007. Os dados foram apresentados na... pesquisa Estatísticas do Registro Civil. Em contrapartida, o número de casamentos realizados no País vem crescendo desde 2003”.
“Segundo os técnicos do IBGE, a elevação das taxas de divórcio revela uma gradual mudança de comportamento da sociedade brasileira, que passou a aceitar o divórcio com maior naturalidade e a acessar os serviços de justiça de modo a formalizar as dissoluções. Somando separações e divórcios, houve 231.329 uniões desfeitas em 2007, uma para cada quatro casamentos”.
“Em 2007 foram realizados 916.006 casamentos, crescimento de 2,9% ante o ano anterior. O número maior de casamentos ‘decorre, em grande parte, de iniciativas de formalização de uniões consensuais’, já que os casais têm sido incentivados pelo Código Civil renovado em 2002 e pelas ofertas de casamentos coletivos promovidos desde então, conforme os técnicos do IBGE”.
“No que diz respeito à natureza das separações realizadas no Brasil, em 2007 a maior parte delas (75,9%) foi consensual, enquanto as separações não consensuais foram 24,1% do total. A pesquisa ressalta, na estatística sobre divórcios, a ‘hegemonia das mulheres’ na guarda dos filhos menores. Em 2007, em 89,1% dos divórcios, a responsabilidade pela guarda dos filhos menores foi concedida às mulheres. As Estatísticas do Registro Civil são divulgadas desde 1974 e reúnem os dados, relativos a 2007, de cartórios, varas de família, foros, varas cíveis e tabelionatos de notas de todo o País”.
A pesquisa mostra, também, que a taxa de casamentos legais em 2007 foi de 6,7 por mil habitantes. Segundo o mesmo levantamento, as taxas de união de indivíduos com 60 anos de idade, ou mais, revelam significativa diferença por sexo. Entre as mulheres de 60 a 64 anos, a taxa foi de 1,5 por mil. Para os homens do mesmo grupo etário, a taxa foi de 3,6 por mil. Outra informação contida no documento é a de que os homens casam pela primeira vez aos 29 anos, em média, e a mulher aos 26 anos.





