E a H - FICAR COM A PARTE DO LEÃO

Fabulistas de todos os tempos narraram casos imaginários que instruíram e divertiram jovens e adultos, enriquecendo as suas histórias com uma verdade moral implícita na própria ficção e nas quais intervinham pessoas, animais personificados e seres inanimados. Os diversos autores que se valeram desse gênero literário nos deixaram muitas obras claras e singelas, destacando-se entre eles, o grego Esopo, que viveu no século VI a.C., o romano Fedro (século I), e o francês La Fontaine (1621-1695), que são os mais conhecidos nos tempos modernos. Mas além deles, também se tornaram famosos o francês Florian; o inglês Gay; os alemães Hagedorn, Gellert e Lessing; o italiano Pignotti; os espanhóis Iriarte e Samaniego, e outros mais.

 

As fábulas geralmente transferem para animais ou seres inanimados as qualidades e sentimentos inerentes ao homem, divulgando conceitos morais ou lhes dando um sentido satírico que ajuda a formar, aprimorar e até mesmo corrigir o procedimento ético dos jovens e adolescentes. Uma dessas pequenas histórias fala do acordo feito entre leão, a raposa, o chacal e o lobo, para que caçassem juntos e dividissem entre si o que conseguissem abater. Caso procedessem dessa forma - justificava o leão -, eles quatro teriam mais comida e menos esforço e trabalho para obtê-la.

 

Na primeira experiência que fizeram eles mataram um veado, e então o leão primeiramente mandou dividir a presa em quatro partes iguais, depois se colocou diante desses pedaços e informou com cara fechada aos seus três parceiros: “eu fico com o primeiro pedaço, porque sou o rei dos animais; o segundo também é meu, já que sou o responsável pela partilha; e se reservo o terceiro pedaço, é porque ele é meu de direito, em virtude da minha condição de sócio. Quanto ao quarto e último pedaço, não acredito que qualquer um de vocês esteja disposto a disputá-lo comigo”.

 

Como essa, outras fábulas também nos mostram situação semelhante, pois apresentam o leão como a figura poderosa com a qual se pode dividir o trabalho, mas não o lucro. Por isso, ao longo do tempo esse conceito acabou originando entre os homens a convicção de que quando nas combinações acertadas as vantagens premiam uma das partes, e as desvantagens prejudicam a outra, isso implica em dizer que alguém vai “ficar com a parte do leão”, expressão tão real e verdadeira que a figura do animal foi emprestada à nossa voraz e insaciável divisão do Imposto de Renda.

 

Falando em leões, o macho dessa espécie pode pesar até 250 quilos, enquanto as fêmeas, muito menores, pesam em média 180 quilos. Eles têm a mesma aparência quando filhotes, mas no decorrer do crescimento os machos adquirem as jubas, e quando atingem a maturidade sexual optam por viver sozinhos ou disputar a liderança do grupo. Antigamente, o território do leão se estendia por toda a África, pelo Oriente Médio, Irã, Índia e parte da Europa, mas hoje, na África, embora eles ainda possam ser encontrados por todo o continente, populações significativas só existem em parques nacionais na Tanzânia e África do Sul.

 

Os leões são exímios caçadores de grandes herbívoros como a zebra e o gnu, mas comem quase todos os animais terrestres que pesem alguns poucos quilos. Como todos os felinos, têm excelente aceleração, mas pouco vigor, e por isso, usam táticas de emboscada e de ação em grupo para capturar suas presas. Muitos leões desencadeiam o ataque a 30 metros de distância da presa, mas mesmo assim, não são poucos os animais que conseguem escapar. Esses animais vivem em bandos de 5 até 30 indivíduos que dividem as tarefas entre si: as fêmeas se encarregam da caça e do cuidado dos filhotes, e o macho da defesa do território.


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