E a H - FICAR NA MOITA
Guerrilha, ou pequena guerra, é um tipo de guerra não convencional no qual o principal estratagema é a ocultação e extrema mobilidade dos combatentes, chamados de guerrilheiros. Em geral, os grupos guerrilheiros são especializados em assaltos de surpresa através de emboscadas, combates rápidos e sabotagem, e suas táticas são usadas, em geral, por uma parte mais fraca contra uma mais forte.
Já a emboscada é o ato de esperar às escondidas pelo inimigo, para atacá-lo de surpresa. Ou seja: o atacante esconde-se entre os arbustos e pedras que formam o cenário natural do local escolhido para a ação, pretendendo com isso apanhar desprevenida a pessoa, ou pessoas visadas por ele. Tal procedimento deu origem ao verbo amoitar, que significa, entre outras coisas, entrar em moita, meter-se em moita, ficar na moita, esconder-se. A moita, corruptela de mata, é traduzida então como sendo o conjunto de plantas arborescentes, rasteiras e densas, esconderijo ideal para quem não quer ser percebido.
Os ladrões, assaltantes à mão armada, agressores sexuais e outros tipos de criminosos, procedem de forma semelhante quando praticam suas ações contra terceiros. Procuram lugares ermos, desertos e de pouca iluminação, nos quais sua presença não seja percebida com facilidade, valendo-se dessas circunstâncias para surpreender as vítimas sem lhes dar chance de defesa. Eles são os atacantes da noite (embora atualmente já estejam fazendo isso debaixo de pleno sol de meio-dia), que ficam na moita para apanhar os descuidados e desprevenidos.
Mas este substantivo - moita - também é usado no sentido de calar-se, guardar sigilo, defender-se, agasalhar-se, saber de alguma coisa de interesse e deixar de comunicá-la, ou manter-se quieto para tirar proveito de determinadas situações, o que faz com que o seu elenco de atribuições alcance desde a empresa que permanece silenciosa diante da constatação de problemas ou irregularidades com seus produtos ou serviços, até o cidadão que observa qualquer outro cometendo um crime, mas nada faz por medo das conseqüências, ou para aproveitar-se do acontecido. Sobre esse assunto, Carlos A. Diz, formado em Engenharia Elétrica pela University of Dundee, Escócia, poliglota e executivo internacional nas áreas de finanças, marketing e gerência geral, faz uma interessante explanação:
“... Também não é difícil imaginar o que era esperado do homem, escondido numa moita, concentrado nos movimentos do mamouth a distância e na decisão de qual o melhor momento e forma para atacar. Na moita, de olho no mamouth, o homem não tinha como ficar se preocupando se estava ou não com fome, frio, calor, doente, seguro, com medo, triste, motivado ou não. Se a seu lado houvesse algum companheiro de caça, de pouco adiantaria. Na moita não dava para ficar pensando, muito menos falando sobre seus estados emocionais ou inquirindo sobre os dos companheiros. Em silêncio, imóvel por horas a fio, sem saber se sairia vivo daquele dia, se conseguiria o “mamouthinho das crianças”, o homem simplesmente esperava o mamouth. Desconhecedor da realidade da caverna, na qual quase não passava tempo, o homem especializava-se em ficar na moita. Quem não se adaptava, perecia nas mãos dos companheiros ou era por estes abandonado, antes mesmo de poder manifestar seu descontentamento. Assim foi ao longo de centenas de milhares de anos”.
E mais adiante:
“... De lá pra cá, trocamos as cavernas por confortáveis casas e mudamos nossa dieta de mamouth para coisas que podemos mais facilmente encontrar no supermercado. O que fazem agora homens e mulheres com suas respectivas especializações? Como elas nos ajudam ou nos atrapalham na realidade de hoje? O que substituiu a caça ao mamouth para os homens e a gestão da caverna para as mulheres, e como cada um está desempenhando seu papel? Os caçadores de mamouth, foram construindo pirâmides, organizando exércitos, inventando as diversas profissões artesanais. Cada um na sua moita, sempre. Há pouco mais de 2 séculos, em seguida à revolução industrial, esses artesões foram se juntando em organizações mais estruturadas – que chamaram de “empresas” – onde acreditavam poderiam continuar aplicando suas competências tão duramente aperfeiçoadas ao longo dos milênios. E durante muito tempo fizeram exatamente isso. Conduziram essas empresas da mesma forma como caçavam mamouth. Graças a Frederic W. Taylor, (1856-1915), que desenvolveu um conjunto de teorias e de regras para que cada indivíduo na empresa tivesse uma moita bem definida na qual se instalar e instruções claras quanto ao que fazer e não fazer, a produtividade destas organizações aumentou substancialmente e Taylor se tornou o pai da ciência do trabalho, como a caça ao mamouth passou a ser chamada”.
Aí surgiu a política, onde o “ficar na moita”, que nada mais é que o agir às escondidas, serviu para criar um sem número de lideranças por esse Brasil à fora. Mas essa é uma outra história...





