Período colonial - 1630/1654 - DOMÍNIO HOLANDÊS (1)
No século 16, os holandeses compravam especiarias nos portos portugueses e os revendiam pelo resto da Europa. Mas esse comércio ficou seriamente prejudicado em 1556, quando a Espanha, então a maior potência mundial, dominou os Países Baixos (Holanda). Os holandeses rebelaram-se em 1579, declararam-se independentes, e em represália começaram a atacar os navios comerciais dos espanhóis, pilhando os carregamentos (na ilustração, Maurício de Nassau).
No ano seguinte (1580), quando a Espanha anexou Portugal (e, por extensão, o Brasil), a atividade de intermediários comerciais dos holandeses foi interrompida. Mas eles não se conformaram com isso, e decidiram, então, atuar diretamente. Para tanto, fundaram, em 1602, a Companhia das Índias Orientais, com o objetivo de buscar na Ásia os produtos a que os europeus já haviam se acostumado.
E foram tão bem sucedidos que em poucos anos repeliram os ingleses, derrotaram a aliança luso-espanhola e monopolizaram o comércio das especiarias, obtendo com isso lucros consideráveis. A partir daí eles passaram a se interessar pelo Novo Mundo, e já em 1599, segundo consta, os primeiros navios flamengos chegaram à costa brasileira, Esse novo interesse comercial se formalizou em 1621, quando foi criada na Holanda a Companhia das Índias Ocidentais, empresa que em seu documento de fundação atribuiu a si mesma, por 24 anos, o monopólio comercial “para a costa ocidental da África, desde o trópico de Câncer até o cabo da Boa Esperança, para a América do Norte e Sul, e igualmente para o oceano Pacífico, a leste da Nova Guiné”, decidindo, ainda, iniciar suas atividades no Brasil.
Com essa finalidade, a primeira expedição holandesa partiu em março de 1624, pretendendo chegar à Bahia. Ciente do que acontecia, o governador-geral do Brasil, Diogo de Mendonça Furtado, mandou que se preparasse a defesa, mas os moradores de Salvador, apoiados pelo bispo Dom Marcos Teixeira, recusaram-se a acatar suas ordens. Assim, quando os flamengos chegaram em maio, encontraram pouca resistência, tanto que dois dias depois eles entraram na cidade, saquearam armazéns e fazendas, e mandaram para o seu país, além do governador que havia sido preso, navios carregados de mercadorias e objetos valiosos. A maior parte da população (dez mil pessoas, aproximadamente) tinha preferido fugir e se abrigar nas matas vizinhas (onde escolheram Matias de Albuquerque como novo governante), mas o bispo Dom Marcos mudou de idéia, tomou a iniciativa da resistência e ordenou o cerco da localidade. Esta permaneceu ocupada durante um ano, até que em 1625, com a chegada de uma grande frota luso-espanhola, os holandeses acharam melhor esquecer temporariamente seu projeto de conquista, embarcaram em seus navios e foram embora para casa.
Mas retornaram quatro anos depois, e com um plano mais ambicioso: conquistar Pernambuco, a mais produtiva capitania da época (a cultura da cana estava no apogeu). Foi com essa intenção que uma frota bem armada zarpou de Rotterdam em dezembro de 1629, sob o comando de Johnkeer Diederick van Weerdenburgh e Hendrik Corneliszoon Loncq. Chegando diante de Olinda em fevereiro de 1630, os holandeses desembarcaram e tomaram a cidade sem qualquer problema, já que seus moradores haviam fugido, juntamente com os de Recife.
Porém, antes da retirada, Matias de Albuquerque (na ilustração) cuidou primeiramente de queimar grande parte das casas recifenses, indo depois acampar a relativa distância (Arraial de Bom Jesus), de onde ele e os seus homens, ajudados pelo índio cristianizado Felipe Camarão, o Poti, e os potiguares por ele chefiados, iniciaram uma campanha de guerrilhas contras os invasores, fustigando-os constantemente e impedindo-os de abandonar as cercanias do porto, onde só poderiam ser abastecidos por mar. Cercados, os holandeses já pensavam em deixar o Brasil pela segunda vez, quando em 1632 o mestiço brasileiro Domingos Fernandes Calabar (1600-1635), militar, e um dos primeiros que se haviam apresentado a Matias de Albuquerque para defender Pernambuco, resolveu desertar (ele estava convencido de que o domínio holandês traria maiores benefícios para a sua pátria do que o jugo espanhol ou português).
Bom conhecedor da região, Calabar foi de grande utilidade aos holandeses, pois estes, valendo-se de suas orientações, forçaram os brasileiros a recuar. Três anos depois, em 1635, o traidor, que havia sido contemplado com o posto de major do exército holandês, foi aprisionado pelos ex-companheiros de luta em Porto Calvo (hoje pertencendo a Alagoas, distante de Maceió cerca de 75 quilômetros, aproximadamente), para onde haviam recuado, sendo julgado e imediatamente enforcado. Mas graças à sua ajuda os invasores já haviam estendido o seu domínio até o Rio Grande do Norte e Paraíba.
Preocupada com o avanço holandês a corte espanhola tentou restabelecer sua autoridade na região, mas sem êxito, ao contrário do que acontecia com a resistência brasileira, que não permitia aos invasores desfrutar da tranqüilidade que lhe permitisse explorar economicamente o território ocupado. Sentindo, então, a necessidade de contar com um líder político e bom negociador - e não apenas militar - para concretizar os seus propósitos, a Companhia das Índias Ocidentais mandou para Pernambuco o príncipe Johan Maurits van Nassau-Siegen (1604-1679), ou simplesmente Maurício de Nassau, com a missão de governar o Brasil Holandês.
Em fevereiro, as tropas de Nassau vencem os espanhóis em Alagoas, e as perseguem até o rio São Francisco, onde instalam um forte com o nome de Maurício. Poucos meses depois conquistam também Fortaleza. Com isso, a Nova Holanda se estende da margem sul do rio Ceará, à margem norte do rio São Francisco.
Fonte: Enciclopédia Abril





