Período colonial - 1631 - BATALHA NAVAL DOS ABROLHOS - Bahia

Abrolhos é um arquipélago situado no Oceano Atlântico, nas proximidades do litoral sul-oriental da Bahia, composto por cinco ilhas: Santa Bárbara, a maior delas, Redonda, Seriba, Sueste e Guarita. Em suas águas ocorreu, em 12 de setembro de 1631, o combate naval entre a esquadra luso-espanhola chefiada por Antônio de Oquendo, e a esquadra holandesa de Adrien Hanspater, que havia saído de Recife, Pernambuco, com dezesseis navios levando a bordo 2.200 marinheiros e soldados, ao encontro da frota adversária.

 

Oquendo (1577-1640) era um almirante espanhol que desde cedo se distinguira na luta contra os corsários. Nomeado para o Conselho de Guerra de seu país, organizou pouco depois uma esquadra para investir contra os holandeses que estavam bloqueando o litoral brasileiro. Reuniu, então, em Lisboa, 16 naus, com as quais escoltou em direção ao Brasil uma frota comercial portuguesa e mais doze caravelas que levavam um reforço de 3.000 homens. Em 12 de setembro de 1631 ele travou combate com a esquadra holandesa de 33 navios, comandada pelo almirante Adrien Hanspater, conseguindo uma vitória decisiva: afundou três dos maiores galeões do inimigo, que teve 1.900 mortos, inclusive o próprio comandante.

 

A batalha começou na manhã do dia 12, quando a nau do almirante holandês investiu contra a nau capitânia espanhola, mas foi atacada por um galeão inimigo. O navio de Hanspater foi a pique, sendo sua guarnição recolhida pelos próprios adversários, enquanto o comandante desaparecia nas águas com o seu navio. Desastre semelhante se deu com a nau do vice-almirante holandês, Thysoon. Só à tarde é que os combatentes se separaram, sem que se pudesse dizer qual das duas esquadras saíra vencedora do confronto. O que se sabe é que Oquendo conseguiu cumprir a sua missão, que era a de desembarcar socorros para o arraial do Bom Jesus e a capitania de Pernambuco.

 

Essa batalha naval teve conseqüências profundas na disposição das tropas dos invasores holandeses, que abandonaram Olinda e foram fortificar-se em Recife, receosos de um duplo ataque por mar e por terra.

 

Os registros sobre o encontro esclarecem que no dia 12 de setembro de 1631, duas esquadras, uma luso-espanhola (com 19 navios de guerra que comboiavam mais 35 embarcações) e outra holandesa (com 18 embarcações de guerra), se envolveram em violenta batalha a cerca de 80 léguas do arquipélago dos Abrolhos. O combate se iniciou pelas nove horas da manhã e só foi terminar por volta das quatro horas da tarde. Neste duro conflito perderam-se, segundo alguns autores, seis embarcações, segundo outros apenas quatro. Com a concordância de todos eles, foram ao fundo as seguintes embarcações:

 

Da frota holandesa:

Prins Wilhelm - nau capitânia (46 canhões, 300 tripulantes)

Provincie van Utrecht - (38 canhões E 262 tripulantes)

 

Da frota luso-espanhola:

San Antonio - nau almirante - (28 canhões, 344 tripulantes )

N.S. dos Prazeres Menor - (18 canhões, 188 tripulantes )

 

Estas embarcações naufragadas representam valioso patrimônio histórico, mas repousam a uma profundidade entre 150 e 200 metros e numa localização muito vaga, ou seja, 80 léguas a leste dos Abrolhos.

 

O nome Abrolhos (abra os olhos!) se origina de um alerta dos navegadores portugueses para aqueles que percorriam aquela região. Distante 32 milhas náuticas ou 52 quilômetros da costa, o Parque Marinho de Abrolhos tem como seu primeiro ponto mais próximo da costa, a cidade de Caravelas, e o segundo, a cidade de Alcobaça, esta a cerca de 84 quilômetros do Parque. Reza a lenda que o município ainda guarda os segredos dos tesouros que corsários franceses enterraram em seu litoral e as lembranças das primeiras expedições colonizadoras dos portugueses, que elegeram São Bernardo o protetor da cidade.

 

 

 

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