Répteis - COBRA - Boca grande e gulosa
Os répteis, em sua maioria, são carnívoros, alimentando-se de vários tipos de animais menores para se manterem vivos. Em decorrência disso, eles desenvolveram não apenas instintos altamente oportunistas e predadores, mas também reflexos incríveis que os ajudam a caçar e capturar presas com movimentos rápidos. Lagartos, tartarugas, crocodilos e muitas cobras pegam a comida com a boca e mastigam ou engolem a presa inteira, mas outros répteis possuem métodos mais sofisticados.
As cobras venenosas, por exemplo, picam suas vítimas com rapidez e injetam nelas poderosas toxinas, matando-as ou paralisando-as. Já as cobras constritoras, como a píton, as jibóias e sucuris, esmagam suas presas até a morte, antes de engoli-las, envolvendo o animal com seus anéis e o impedindo de respirar (na ilustração acima, a boca de uma anaconda, ou sucuri).
As cobras têm a capacidade de ingerir presas com até três vezes o seu tamanho, engolindo-as de uma vez só. Conforme explica o professor Giuseppe Puorto, diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan, em declaração à Revista Galileu Especial, edição de junho 2003, “isso só é possível por conta de algumas adaptações que surgiram ao longo da evolução. Os dois ramos da mandíbula, ossos que fazem a abertura e fechamento da boca, estão ligados à cabeça por meio de ossos intermediários, o que permite uma abertura de boca de quase 180°. Além disso, esses dois ramos não são soldados formando o queixo, como ocorre nos humanos. Nas cobras eles são soltos e ligados pela pele, o que favorece a abertura. Isso também permite que o animal respire, através da glote, enquanto a boca está obstruída com o alimento. Outra coisa que facilita é que os ossos da cabeça, ao redor da caixa craniana, também não são soldados, e as junções são bastante flexíveis, permitindo a passagem de um grande alimento”.
“Todos esses fatores funcionam em conjunto para o aproveitamento de presas grandes, já que a oferta de alimento nem sempre está disponível. Por isso, quando se observa uma cobra bocejando após sua refeição, na verdade ela está apenas colocando no lugar todos os ossos que foram desarticulados. Como a presa é muito grande, a serpente, após a refeição, aumenta de tamanho e passa vários dias em digestão, processo que pode levar até quinze dias em algumas espécies”.
Em www.ciência.hsw.com.br/cobras.htm, o texto de Lacy Perry (Como funcionam as cobras), esclarece que o trato digestório das cobras (ilustração) percorre quase toda a extensão do corpo e inclui a boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus, todos podendo se distender para digerir presas maiores do que o diâmetro da própria cobra. Quando sua boca está cheia, ela precisa estender sua traquéia (tubo respiratório) além da comida e para fora de modo a continuar respirando. As cobras não têm um diafragma como as pessoas, portanto fazem o ar entrar e sair dos pulmões estreitando primeiramente a caixa torácica, para empurrar o ar para fora, e depois a alargando, para criar um vácuo que suga o ar para dentro. Após cada ciclo respiratório elas experimentam uma apnéia, parada respiratória que dura de poucos segundos até alguns minutos. Para processar o oxigênio todas as cobras têm um pulmão direito alongado; muitas também possuem um outro menor, o pulmão esquerdo, e algumas até um terceiro pulmão, ao longo da traquéia.
Quando a cobra está pronta para comer ela abre a boca e começa a andar com sua mandíbula inferior pelo corpo da presa, ao mesmo tempo em que os dentes curvados para trás seguram o animal (um lado da mandíbula puxa para dentro enquanto o outro se move para frente, preparando a próxima mordida). A cobra molha completamente o seu alimento com saliva, e por fim o desloca para dentro do esôfago. A partir daí, usa seus músculos visando dois objetivos simultâneos: esmagar a comida e empurrá-la mais para dentro do trato digestivo, onde é degradada em nutrientes.





