Autores de Cordel - CORDEL - Pompílio Diniz - SAMBA, O

SAMBA, O

Pompilio Diniz

 

http://fernandod.com.br/images/textos/SAMBA O 1.jpgO samba nasceu assim: / Já era madrugadinha, / a cuíca e o tamborim / descendo o morro já vinha, / onde quase a noite inteira / tocaro na gafiera / em homenage a Zefinha.

 

Foi ela, porta-bandeira / baliza do carnavá, / rainha da gafiera / mais outras coisas pru lá. / Onde tivesse Zefinha / malandro perdia a linha / e as cabrocha o rebolá.

 

Carioca e baianinho, / dois malandro, dois rivá, / tão respeitado no pinho / cumo também no punha, / foram gostá de Zefinha, / que há muito tempo já vinha / querendo os dois namorá.

 

Carioca , conhecido / no morro Pindura Saia ; como malandro temido / no manejo da naváia. / Baianinho na pexera, / ligero na capoera / também no rabo-de-arraia.

 

Nessa noite, sêo doto, / quizero a limpo tirá / toda essa rixa de amo / pra ver quem ia ficá / com a cabrocha facera. / rainha da gafiera, / baliza do carnavá.

 

Carioca, arreliado, / querendo mostrar valô, / naquele  passo gingado / de malandro brigado, / com corage e desassombro / bateu com força no ombro / do Baianinho e falo:

 

- Faz a pista, Baianinho, / comigo tu não tem vez. / Chuta a erva de mansinho, / passa as férias que tu fez. / Dá o pira e não me amola / sinão a justa te esfola / numa fria do xadrez.

 

- Sê besta, cabra da peste, / pensa que eu ligo, naváia? / Comigo o nego que investe / eu toco um rabo-de-arraia, / mermo no pé to toitiço, / que ele roda iguá caniço / e corre quiném “biscáia”.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/SAMBA, 0 2.jpgBaiano, mora a jogada, / te manca, não me faz pó / A morena foi na cantada / desguia, me dexa só. / Vai, meu chapa, dá no pé, / sabe o papai cumo é... / eu te fecho o paletó...

 

- Pois mete os peito, bichim, / pra tu ver que bicho dá.. / Eu não sou pau de cupim / pra frumiga se atrepá.. / Na ponta dessa pexera / teu corpo vira penera / de tanto eu te futucá

 

Em dois segundo despois / cruzaro rabo-de-arráia, / Travou-se a luta dos dois, / pexera contra naváia.. / E a batucada bem forte / marcou a dança da morte / no morro Pindura Saia.

Era um ritmo diferente / dos batuque dos terreiro. / Dançado por dois valente / num passo curto e ligero, / onde a força e a destreza / acompanhava a beleza / da cadência do pandero.

 

Dês vez em quando se ouvia / o carioca gritá: / - Baiano...chego teu dia, / dessa vez vou te cortá; / E os dois naquela manobra, / davam bote que nem cobra, / e pulo quiném preá..

 

Cortou fundo a navaiada, ; Baiano ficou maluco, / rodopiou na pernada / bem na bera do cavuco. / E disse franzindo a testa / - Carioca da molesta / não me venha, que eu futuco.

 

- Não FUTUCA - TE FUTUCO

- Não FUTUCA - TE FUTUCO

 

E a cuíca acelerada, / continuou na toada... / te futuco - não futuca / te futuco - não futuca... / Te futuco - não futuca / te futuco - não futuca / te futuco - não futuca...

 

E forte rufou o pandero./ entre os soluços do pinho, / Carioca e Baianinho / rolaro o despenhadero;. / Nessa noite o morro inteiro, / cantando, chorou, gemeu.. / E foi assim que nasceu / nosso samba brasileiro.


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Comentários:

  1.   Edson Bicalho diz:

    Conheci pessoalmente o Poeta Pompílio Diniz. Quando criança, fui vizinho do seu irmão que morava ao lado da minha casa. Na ocasião, Flavio meu colega de infância e seu sobrinho, me presenteou com um maravilhoso livro de sua autoria onde decorei essa e outras lindas poesias. Mas infelizmente não possuo mais o livro, graças ao abominável costume de emprestar livros para pessoas erradas. Tentei, em vão, conseguir outro exemplar mas nunca tive sucesso nessa empreitada. Se alguém souber de algum, favor me avisar pelo mail [email protected]\r\n\r\nObrigado, um abraço.\r\n\r\nEdson Bicalho.\r\n\r\n